A mulher não precisa ser mãe para se sentir completa

por Karina Simões

Pesquisas inovadoras mostram que o instinto materno não é inato e pode ser construído, se assim for a opção da mulher.

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Essas pesquisas trazem em seu bojo um desafio ou opção para a mulher atual: ser ou não ser mãe. Já que ser mãe há alguns anos, ou talvez décadas atrás, era simplesmente inquestionável e natural.

Digo desafio, pois a mulher que opta por não ser mãe ainda sofre pressões comportamentais e críticas extremadas: se não quer ter filhos é muito egoísta ou tem algum problema com sua feminilidade (lado maternal). Que absurdo parte da sociedade ainda pensar assim!

Mas… mesmo assim, e ainda bem, conseguem se sentir felizes com a tomada dessa espontânea decisão. Felicidade essa respaldada nas diversas transformações culturais dos últimos tempos: atualmente as mulheres são chefes de família e até presidentes da República e de empresas, e exercem cargos antes ocupados apenas por homens.

De onde vem a decisão de não ser mãe?

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Essa decisão não está relacionada ao fato de não haver afinidade com crianças. Mas sim como uma opção de vida de cada casal ou de cada mulher.  A psicanalista Luci Mansur, autora do livro "Sem filhos: a mulher singular no plural" nos ensina que pensar que ter filhos, é o caminho natural da vida de qualquer pessoa, é fruto de uma mentalidade atrasada, segundo a qual, a maternidade faz parte da evolução da mulher e a torna completa.

Conseguir internalizar essa ideia de que a maternidade não é inerente e natural, e aceitá-la sem julgamentos e críticas, possibilita um grande avanço ao bem-estar da mulher.

A opção de não ter filhos para a mulher atual, não implica mais num conceito de felicidade plena e garantias futuras, mas sim trata-se de uma decisão saudável e natural devendo ser respeitada e não julgada.

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Concordo com a socióloga Amy Pienta, que nos alerta que hoje há uma liberdade maior de escolha, e que é possível ser mulher de forma plena e prescindir da maternidade.

Dados

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de famílias chefiadas por mulheres cresceu mais do que quatro vezes nos últimos dez anos. Em relação aos casais sem filhos, o índice de autoridade feminina passou de 4,5% para 18,3%.

Psicóloga Clínica Cognitivo-Comportamental; Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde - UFP - Universidade Fernando Pessoa em Portugal. Defendeu a sua dissertação com excelência e nota máxima sobre: “A interferência das redes sociais nos relacionamentos”. Especialista em Psicologia da Saúde, Desenvolvimento e Hospitalização – UFRN; Especialista pela Faculdade de Medicina do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP – SP. Foi professora da Pós-graduação em Psicologia – Terapia Cognitivo-Comportamental (Unipê). Há 20 anos atendendo na clínica a adolescentes, adultos, casais e famílias. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mantém o Blog próprio desde 2008. Mais informações: www.karinasimoes.com.br. Atendimentos com consultas presenciais ou online