Acumular conhecimento pode levar ao vício da vaidade

por Flávio Gikovate

Pessoas que decidem ganhar a vida através do exercício de suas potencialidades intelectuais podem se envolver plenamente no projeto de tentar saciar sua enorme curiosidade.

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Elas procuram ler muito e conversar com pessoas mais experientes. Esse projeto de vida é fascinante, embora parte dessas pessoas não seja bem remunerada.

A busca do conhecimento e o aprimoramento da Verdade através do desenvolvimento das ciências exatas, humanas e biológicas são os principais objetivos dos intelectuais.

No entanto, aos poucos, esses intelectuais percebem que a acumulação de conhecimento determina sinais de admiração nas outras pessoas; percebem que podem se destacar por essa via; percebem que aqueles que se dedicaram mais objetivamente a atingir metas de fortuna os invejam.

Assim, passam a exibir o conhecimento com o intuito de chamar atenção e atrair admiração; gradualmente se apercebem desse fato de forma mais consciente e talvez até por que se sintam frustrados com suas recompensas materiais; usam as citações de autores famosos da mesma forma que mulheres ricas usam seus brilhantes.

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Parte dos intelectuais luta a partir de certo ponto de suas vidas, mais pela posição de destaque social do que pelo conhecimento. Dessa forma, eles se distanciam de sua missão de fazer questionamentos intrigantes: objetivos e subjetivos. Mas lutam para serem conhecidos e reconhecidos; querem ser professores eméritos, catedráticos… Enfim, deixam se seduzir por honrarias, como a de ter um título de Doutor por exemplo.

Em conclusão, de uma maneira geral, e reiterando o que já foi dito, podemos afirmar que parte das pessoas mais dotadas de competência para o mundo do trabalho, luta acima de tudo para ter esse reconhecimento social e fama derivada da riqueza material. Elas se viciam na vaidade e daí para frente, nada mais as satisfaz, querem sempre mais.

É médico psiquiatra formado pela USP em 1966. Foi assistente clínico do Institute of Psychiatry na London University. Em 45 anos de carreira já atendeu mais de oito mil pacientes. É escritor e palestrante. Assim como Erich Fromm, Carl Rogers e Erik Erickson, psicoterapeutas e escritores contemporâneos, dos anos 50 e 60, Gikovate tem tido sucesso em escrever textos sérios em linguagem coloquial. Seus livros já ultrapassam o milhão de exemplares vendidos. RIP.

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