Alcoolismo: e quando nem internar resolve?

por Danilo Baltieri

"Sou alcoolista, 60 anos, faço tratamento há dez. Já tive 14 internações, a cirrose hepática ocasionou minha invalidez. Não consigo começar e levar avante um tratamento. Por favor, me ajude."

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Resposta: Os portadores da Síndrome de Dependência de Álcool constituem uma população bastante heterogênea. Isso significa que nem todos os pacientes respondem adequadamente a uma mesma fórmula terapêutica. Inúmeros ingredientes podem compor de forma diferenciada cada quadro clínico. Aspectos genéticos, neurobiológicos, psicológicos, ambientais, familiares e sociais devem ser rigorosamente avaliados ou analisados para que os tratamentos sejam potencialmente eficazes.

Considerações: Processo terapêutico para tratamento de alcoolismo

a) A Síndrome de Dependência de álcool é uma doença crônica que demanda tratamento prolongado;

b) Recaídas fazem parte do tratamento; entretanto, é esperado que os portadores consigam driblar progressivamente e com grande sucesso as situações de risco muitas vezes inevitáveis;

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c) Os pacientes portadores de dependência de álcool constituem uma população heterogênea;

d) Os melhores resultados terapêuticos estão diretamente relacionados com a adesão dos pacientes às orientações médicas. Costumo dizer que o tratamento é uma via de mão dupla, ou seja, não basta uma equipe de profissionais disponível, especializada e interessada em ajudar; a participação ativa do paciente é imprescindível ou essencial para o sucesso terapêutico;

e) Existem várias formas de tratamento para a Síndrome de Dependência de Álcool. A individualização da proposta terapêutica deve sempre ser adequadamente realizada e cientificamente baseada;

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f) Medicações comprovadamente eficazes no tratamento dessa doença são ferramentas indispensáveis em muitos dos casos;

g) A associação entre tratamentos biológicos e psicológicos deve ser considerada, sempre quando possível;

h) Internação é apenas uma das formas de manejo clínico para essa doença. Esse procedimento terapêutico deve ter objetivos claros e bem definidos.

Sempre quando uma proposta terapêutica falhar no seu objetivo de recuperar um paciente, outras formas de manejo clínico devem ser avaliadas. A colaboração ativa do próprio paciente e dos seus familiares é absolutamente necessária.

Muitas doenças médicas representam grande desafio para os especialistas e para aqueles que delas padecem. Essa é uma das razões pelas quais pesquisas cientificas são produzidas ao redor do mundo objetivando averiguar os melhores resultados em termos de eficácia terapêutica e melhora da qualidade de vida dos doentes.

Você, seguramente, não é o único portador dessa grave doença médica que não está conseguindo bons resultados em termos de cessação de consumo e melhora da qualidade de vida. O seu tratamento precisa ser reavaliado por especialistas na matéria, averiguando quais os principais problemas e falhas durante os processos anteriores (lembro, novamente, que o tratamento é uma via de mão dupla!). A cirrose hepática é uma das complicações do alcoolismo. Você precisa urgentemente cessar o consumo de bebidas alcoólicas. Para isso, não perca tempo e procure um especialista para reavaliar juntamente com você o curso da sua doença e tratamento.

Professor Livre-Docente pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professor de Psiquiatria do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC. Pesquisador nas áreas de Dependências Químicas, Transtornos da Sexualidade e Clínica Forense.