Como sobreviver à dor da perda de um filho?

por Luiz Alberto Py  

“A melhor maneira consiste em aceitar o fato de que tudo o que nos acontece faz parte do nosso crescimento espiritual”

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É chocante quando a ordem natural se inverte e em vez de os filhos enterrarem os pais, chega a vez de o pai acompanhar o funeral de seu filho. Não conseguimos, como pais, deixar de nos interrogar a respeito de nossa responsabilidade na perda.

Quando três filhos meus ficaram gravemente feridos em um desastre de automóvel, me perguntei seguidamente qual a minha parcela no acidente, como poderíamos evitar que esses estúpidos acidentes acontecessem e como transmitir, para jovens cheios de vida e de excesso de confiança, a prudência que somente a vivência de anos é capaz de gerar.

E como sobreviver à dor da perda?

Naquela ocasião, passei dias procurando me acostumar à possibilidade da morte de meus filhos, tentando me consolar pensando nos bons momentos juntos e valorizando o privilégio de ter podido conviver com eles, embora por um tempo que me parecia tão curto.

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Aprendi que a melhor maneira de mudar nossa atitude para com a dor consiste em aceitar o fato de que tudo o que nos acontece pode ser utilizado para nosso aprimoramento emocional. Tal modo de pensar me proporcionou uma maior serenidade para lidar com o sofrimento e com a consciência. É ela que, apesar de fonte da dor, vai nos apontar as soluções, as curas ou – em termos religiosos – a salvação.

 

É médico psiquiatra e psicanalista. Clinica no Rio de Janeiro e faz palestras por todo o Brasil. Publicou em 2002 o best-seller "Olhar acima do horizonte", em 2004: "A felicidade é aqui" e "Saber amar" todos pela editora Rocco. Mais informações: http://doutorpy.blogspot.com

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