Como superar uma fobia

Irei abordar neste texto as fobias pelo enfoque da teoria cognitiva social. E esta se concentra nos efeitos que as outras pessoas têm em nosso comportamento. Bem… vamos então, primeiro, aos princípios desta teoria para, no decorrer do texto, mostrar como esta teoria pode ajudar a  superar essas fobias.   

1. As pessoas aprendem observando os outros – um processo conhecido como aprendizagem vicária – não apenas através de suas próprias experiências diretas.

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2. Embora o aprendizado possa modificar o comportamento, as pessoas nem sempre aplicam o que aprenderam.

3. As pessoas são mais propensas a seguir os comportamentos modelados por alguém com quem possam se identificar. Quanto mais semelhanças e/ou vínculos emocionais entre o observador e o modelo, maior a probabilidade de o observador aprender com o modelo.

4. O grau de autoeficácia (crença de uma pessoa em sua capacidade de ter sucesso em uma situação particular) que uma pessoa ou aluno possui afeta diretamente sua capacidade de aprender. A autoeficácia é uma crença fundamental na capacidade de alcançar um objetivo. Se você acredita que pode aprender novos comportamentos, você será muito mais bem-sucedido em fazê-lo.

Mas como esse aprendizado baseado no comportamento do outro se dá no dia a dia? 

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A teoria cognitiva social é frequentemente usada na publicidade. Os comerciais são cuidadosamente direcionados para determinados grupos demográficos. Observe como os comerciais exibidos durante os desenhos animados de sábado de manhã são aqueles exibidos durante o noticiário da noite ou no intervalo de um filme noturno.

Cada elemento de um comercial, desde os atores até a música de fundo, é escolhido para ajudar o público-alvo a se identificar com o produto.

E quem não percebeu o poder da pressão dos colegas? Todos nós queremos pertencer, e por isso tendemos a mudar nossos comportamentos para nos encaixarmos em qualquer grupo com o qual nos identificamos mais fortemente. Embora muitas vezes pensemos na pressão dos colegas como apenas um fenômeno adolescente, quantos de nós dirige um carro em particular ou vive em um bairro específico simplesmente porque é esperado de alguém da nossa classe social ou grupo de pares?

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Agora sim, vamos voltar ao tema inicial deste post: como as pessoas desenvolvem fobias?

Aqui vamos entender fobia como um medo avassalador e irracional de um objeto ou situação que representa pouco perigo real, mas provoca ansiedade e evitação.

De onde vem as fobias?

A teoria cognitiva social pode explicar por que algumas pessoas desenvolvem fobias. Muitas fobias provêm da primeira infância, quando nossos pais eram nossas maiores influências e modelos.

Não é incomum que a aversão dos pais por aranhas ou ratos se torne uma possível fobia em seu filho. Observar outra pessoa, seja um pai, um amigo ou até mesmo um estranho, passar por uma experiência negativa, como por exemplo cair das escadas, também pode levar a uma fobia.

A teoria cognitiva social também pode ser utilizada no tratamento de fobias. Muitas pessoas com fobias realmente querem superá-las e têm uma forte crença em sua capacidade de fazê-lo. No entanto, elas ficam presas ao tentar desaprender a resposta automática ao medo.

O que é essencial na relação entre o psicoterapeuta e o paciente?

Se houver uma boa relação de confiança e relacionamento com o terapeuta, em alguns casos, apenas ver outra pessoa realizar o comportamento sem medo pode ser suficiente para quebrar a resposta fóbica. No entanto, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é frequentemente a primeira linha de tratamento para a fobia. Ela pode ajudá-lo a superar os pensamentos automáticos negativos que levam a reações fóbicas, ensinando-o a mudar gradualmente a maneira como você pensa para ajudá-lo a superar seu medo.



Expor gradualmente a pessoa à fobia é uma técnica muito utilizada    

Outro recurso muito utilizado é a técnica de exposição gradual, que expõe a pessoa às situações que ela teme com o objetivo de dessensibilizar e reduzir a ansiedade. A exposição muitas vezes faz parte de um programa de tratamento cognitivo-comportamental, mas também pode ser incorporada ao seu cotidiano.

Cuidados antes de expor a pessoa à fobia  

Antes do processo de exposição começar, as pessoas primeiro aprendem técnicas de relaxamento para manter a calma ao enfrentar seus medos, incluindo respiração profunda, relaxamento muscular progressivo, visualização e imagens guiadas. O próximo passo é praticar usando essas estratégias de relaxamento gradual e progressivamente diante do temido objeto ou situação.

Por exemplo, se a pessoa tem fobia de falar em público, seu psicoterapeuta pode ajudá-la gradualmente a enfrentar cenários difíceis de falar em público para superar seus medos, talvez começando com a leitura de uma passagem em voz alta para um amigo e terminando com uma apresentação pública.

Medicamentos podem ser prescritos  

Aqui cabe um esclarecimento, o modelo médico coloca ênfase nos componentes genéticos e de química cerebral das fobias. Medicamentos são prescritos para reduzir os sintomas associados à fobia (ansiedade, depressão, por exemplo). Estudos mostram que, em fobias, abordagens cognitivas-comportamentais tendem a ser mais eficazes em longo prazo do que abordagens medicamentosas. Por fim, vale lembrar de que toda intervenção seja ela farmacológica ou psicoterápica deve ser realizada por profissionais habilitados na sua prescrição e aplicação.