Dependência química: recaídas após longas internações. O que fazer?

por Danilo Baltieri

Resposta: Infelizmente, recaídas após períodos longos de internação ou mesmo depois de várias internações não são incomuns principalmente entre graves dependentes de substâncias psicoativas.

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A Síndrome de Dependência de Substâncias, como cocaína/crack, é uma doença crônica e necessita de tratamento e monitoramento contínuos. Mesmo depois de internações, até aquelas por longos períodos, o indivíduo dependente não deve deixar de tratar-se ou mesmo de procurar atendimento especializado, bem como seus familiares.

A internação de forma alguma torna o indivíduo “curado” da síndrome de dependência; a internação é mais uma das formas de tratamento médico para essa grave doença.

Por que internação às vezes não resolve

Muitas vezes, além da Síndrome de Dependência, o indivíduo também é portador de outros transtornos psiquiátricos que também precisam ser adequadamente diagnosticados e tratados. A esta combinação de Síndrome de Dependência e outros transtornos psiquiátricos, dá-se o nome de co-morbidade. Se os outros possíveis problemas não forem corretamente diagnosticados e manejados (quando existem de fato), o tratamento corre o risco de não ser eficiente e as recaídas mais freqüentes.

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Além disso, alguns indivíduos dependentes de substâncias, quando recebem alta hospitalar, retornam para o mesmo ambiente, com os mesmos amigos de outrora, com o mesmo funcionamento familiar de antes. Isso é pedir para que as coisas não funcionem.

Às vezes, um indivíduo dependente afirma que continua a usar substâncias porque é, de fato, um “dependente químico”. Ele acaba não assumindo quaisquer responsabilidades por seu comportamento inadequado, atribuindo todo o seu comportamento à doença e à incompetência dos seus médicos ou terapeutas. O indivíduo dependente precisa assumir responsabilidade pelo seu próprio tratamento e comportamento.

Nas situações como as mencionadas na pergunta, o modelo de tratamento ofertado deve ser revisto pelos profissionais de saúde adequadamente especializados na matéria, os familiares devem estar intensamente inseridos em adequado manejo terapêutico, o paciente deve ser reavaliado, também quanto à real motivação em cessar o consumo dessas substâncias.

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Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

Professor Livre-Docente pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professor de Psiquiatria do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC. Pesquisador nas áreas de Dependências Químicas, Transtornos da Sexualidade e Clínica Forense.