Deveríamos utilizar a dor como aliada

por Thaís Petroff

“É tão imenso o medo da dor do parto que nem se permite a chance de entrar em contato com ele…”

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Dor é algo que a maior parte dos seres vivos sente. Há alguns que por questões de anomalias genéticas não sentem dor, o que pode lhes gerar sérios problemas com relação à sua vida e sobrevivência. Posto por esse ângulo, dor tem função.

Por que então nós rechaçamos tão fortemente a dor? Ela não será uma reação natural de nosso organismo frente a algo que ele percebe?

Vamos entender uma pouco mais sobre a dor. Há dores físicas, há dores fantasma (percebidas por pessoas em membros que foram amputados), há dores emocionais. Via de regra, nós evitamos situações em que haja a possibilidade de sentirmos qualquer possibilidade de dor. Grande exemplo disso é o altíssimo número de cesáreas eletivas que ocorrem no Brasil. É tão imenso o medo da dor do parto que nem se permite a chance de entrar em contato com ele, corre-se para agendar um procedimento garantindo que essa dor não aconteça. No entanto, seria a natureza burra ao ponto de nos fazer sentir dor sem motivo algum?

A dor de cabeça nos mostra que há algo acontecendo e que precisamos cuidar disso. A dor do parto nos mostra que chegou a hora do bebê nascer e que precisamos nos preparar para toda uma nova vida que teremos daí para adiante. É uma dor vista por muitas pessoas como um ritual necessário para essa transcendência de mulher para mãe.

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E as dores do coração? Terão qual função?

Será que elas não nos ensinam quais caminhos e escolhas são benéficos para nós e quais não?

Será que ao sentir dor após ter tido determinado comportamento, isso não pode ser percebido como algo a não se fazer mais?

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Será que ao fazer certa escolha e essa lhe machucar não pode ser percebida como um alerta de que essa não é a direção?

Será que então ao invés de negarmos ou lutar com as dores, não faz mais sentido as usarmos como aliadas, aceitando-as e nos entregando a elas, podendo assim passar por elas com menos resistência e assim absorver o que deve ser aprendido?

Quando lutamos contra a dor ela só aumenta. Quando relaxamos e não a vemos como inimiga ela se torna mais tranquila de lidar. Passa a não ser mais algo a ser extirpado, mas sim, vivido.

Não nos alienemos de nossas dores. Se elas se fazem presentes, precisam ser observadas e digeridas. Não temos a possibilidade de aprender se a negamos (bebendo, fugindo, arranjando logo outra pessoa para ocupar o vazio da anterior etc)

Reflita sobre isso e quais os possíveis efeitos de aceitar e abraçar algo que é natural à nossa condição de humanos.

 

Formada em Psicologia pela PUC-SP e Master Coach certificada pelo Behavioral Coaching Institute. Utiliza a Terapia Cognitivo Comportamental como base do seu trabalho, mas reconhecendo a profundidade e complexidade do ser humano e por ser uma eterna curiosa e buscadora de autoconhecimento, fez formações em Bioenergética, Programação Neurolinguística, Yoga, Barras de Access, Theta Healing, Constelação Familiar, entre outras, possuindo uma visão bastante abrangente em sua maneira de auxiliar as pessoas. Possui como foco de vida e trabalho a promoção do autoconhecimento e da inteligência emocional e o desenvolvimento pessoal. https://www.thaispetroff.com.br