É possível livrar-se da dependência química tratando pelo SUS? Quando internar?

por Danilo Baltieri

"Meu marido é dependente de crack, ficou oito anos sem fazer uso nenhum – com exceção do álcool. Voltou a fazer uso do crack há uns 3 meses. Ele faz tratamento pelo SUS, mas não está resolvendo. Uma clínica de internação seria uma opção?"

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Resposta: A Síndrome de Dependência de cocaína/crack é uma doença complexa que requer tratamento contínuo e especializado. Na verdade, não basta apenas uma equipe preparada para ajudar; é importante a participação efetiva dos familiares e do próprio paciente durante o processo de recuperação.

Infelizmente, recaídas e lapsos são comuns durante o tratamento, No entanto, através do tratamento rigoroso, o paciente e os familiares vão “aprendendo” como evitar futuras falhas na aderência às recomendações da equipe.

A internação seja em clínicas especializadas ou em hospitais gerais requer indicação médica precisa. É uma das modalidades de tratamento e deve ser sempre realizado por profissionais especializados, respeitando as evidências científicas internacionais de efetividade.

Dependência química: Quando internar?

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As principais indicações para internação de pacientes portadores de Síndrome de Dependência de substâncias psicoativas são:

a) Overdoses;

b) Graves síndromes de abstinência;

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c) Presença de grave complicação clínica de outras doenças;

d) Incapacidade de manter-se abstinente em tratamento ambulatorial;

e) Grave exposição social;

f) Ideação suicida;

g) Hetero-agressividade

É comum em casos difíceis, quando o paciente não atinge resultados satisfatórios, que os familiares e o próprio paciente apontem a equipe médica como ineficaz. No entanto, o tratamento é uma via de mão dupla: os bons resultados dependem da adequada interação entre o profissional de saúde e os familiares / pacientes. Os dois lados têm o seu papel e a sua função. Imagine, por exemplo, que o médico prescreve um tratamento ao paciente, bem como aos seus familiares, e o paciente não segue corretamente as recomendações dos profissionais da saúde. Isso significará falha terapêutica.

Converse com a equipe que trata o seu familiar e apresente as suas dúvidas e preocupações. Isso será muito bem-vindo no processo do tratamento, beneficiando a todos.

Atenção! 

As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

Professor Livre-Docente pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professor de Psiquiatria do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC. Pesquisador nas áreas de Dependências Químicas, Transtornos da Sexualidade e Clínica Forense.