Existem diferenças entre o cérebro masculino e o feminino?

por Marta Relvas

Em épocas muito antigas, cada sexo tinha um papel definido que ajudava a assegurar a sobrevivência da espécie.

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Os homens da caverna caçavam, enquanto as mulheres recolhiam comida perto de casa e cuidavam das crianças. As áreas do cérebro podem ter sido desenvolvidas para permitir que cada sexo realizasse suas tarefas.

O que o humano ganhou com isso?

Em termos evolutivos, o desenvolvimento de habilidades navegacionais pode ter tornado os homens mais capacitados para o papel de caçador, enquanto nas mulheres pode ter capacitado-as para cumprir suas tarefas de coletoras de alimentos perto de casa. Outra vantagem relativa às habilidades femininas são as verbais. A força corporal e espacial do homem surge para competir com outros homens, ao passo que as mulheres usam a linguagem para conseguir vantagens sociais, por meio da argumentação e persuasão.

Afinal de contas, a única diferença entre homens e mulheres são os cromossomos Y ou X. Simples, não? Sem dúvida, isso tem um impacto real sobre os aspectos no cotidiano, nos comportamentos, na aprendizagem, na dor, nos hormônios, na força muscular, nas emoções e afetos, inclusive a fidelidade, mas não podem ser considerados no geral como fatores determinantes das diferenças entre os gêneros.

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Preconceitos ou não. Essas diferenças implicam uma relação de superioridade-inferioridade entre homens e mulheres?

Não. Afirmar isso significa dizer que os homens são automaticamente melhores em algumas coisas do que as mulheres e vice-versa. Isso é uma atitude simplista. É fácil encontrar mulheres que são extraordinárias em habilidades de matemática, física e espaciais, e homens que são excelentes em habilidades de linguagem. Somente examinando uma população com uma quantidade significativa e investigando-se as tendências podem-se ver as generalizações. Existem muitas exceções, mas há também uma verdade revelada pela estrutura cerebral, que se acredita estar subjacente a algumas das maneiras pelas quais as pessoas caracterizam os sexos.

Pesquisas através de imagens demonstram reais assimetrias anatômicas entre os cérebros femininos e masculinos, e também relevantes diferenças neuroquímicas de neurotransmissores conhecidos como norepinefrina, que é desigualmente distribuída na metade direita do *tálamo – no homem, e metade do tálamo esquerdo – na mulher.

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Outra questão científica relevante entre os cérebros masculino e feminino é que a diferença de gênero pode provir especificamente das regiões frontais de cada hemisfério, devido ao encontro de feixes nervosos que nas mulheres são mais densos que nos homens. Essa anatomia promove um funcionamento mais rápido dos impulsos nervosos. E mais: enquanto o lobo frontal direito exerce a função da habilidade de alterar uma estratégia, o lobo frontal esquerdo é envolvido na habilidade de avançar ou elaborar uma nova estratégia mais rapidamente.

O mecanismo para essas diferenças entre os gêneros não é totalmente conhecido, mas provavelmente são envolvidos também pelos efeitos de organização e ativação dos hormônios sexuais (estrogênio e testosterona). Além disso, os efeitos organizacionais dos hormônios ocorrem durante o desenvolvimento dos órgãos sexuais e a masculinização ou feminização do cérebro de forma relativamente permanente.

*O tálamo é uma estrutura subcortical que serve como principal centro de distribuição dos impulsos elétricos para o córtex. No homem, apresenta mais quantidade no tálamo direto, enquanto nas mulheres, no esquerdo.

Bióloga; Doutora e Mestre em Psicanálise; Neuroanatomista; Neurofisiologista; Psicopedagoga e Especialista em Bioética; Tem certificação no programa internacional em Reggio Emília Study Abroad Program na Itália; Title of People Expression Special category Best Practices in Education Neurosciences and childhood and adolescence learning of Erasmus+ University – Europe – Portugal; Membro Efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento; Membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia Rio de Janeiro; Autora de livros e DVDs sobre Neurociência e Educação – Transtornos da Aprendizagem publicados pela Editora WAK e Editora Qualconsoante de Portugal; Atua ainda como Professora Universitária na Universidade AVM Educacional / Cândido Mendes, nos cursos de pós graduação em Psicopedagogia, Psicomotricidade, Neurociência Pedagógica, e na formação Docente; Professora na Universidade Estácio de Sá no Rio de Janeiro nos cursos das áreas: saúde, licenciatura; Professora Mentora do curso de Neurociência e Educação CBI OF Miami. Professora, pesquisadora convidada no curso de pós graduação de Neurociência do IPUB/ UFRJ. Coordenadora do Programa de Pós graduação de Neurociência Pedagógica na Universidade Candido Mendes/ AVM Educacional. Palestrante no Brasil e no exterior.