Falar palavrões é falta de educação, conduta ou síndrome?

por Marta Relvas

A compulsão por falar coisas obscenas é um distúrbio que, no vocabulário médico, recebe um nome que já é um palavrão: coprolalia.

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Quem sofre de coprolalia incorpora no meio de frases cotidianas, palavras ou frases inconvenientes, grunhidos e gemidos com conotação sexual. Tudo isso sem perceber.

O sujeito pode falar:

– "Bom dia, seu …, como vai a … da sua mãe?" com a maior naturalidade.

A coprolalia é um dos sintomas de uma doença muito embaraçosa chamada síndrome de Tourette, comumente denominada – cacoete e tique; pode ser considerada de fundo neuroemocional trazendo um profundo grau de ansiedade, e também pode ser adquirida, em alguns casos, devido a um acidente vascular cerebral ou traumatismo craniano, mas muitas das vezes é de causa neuropsicobiológica e emocional.

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O que fazer quando a criança fala palavrões e é agressiva com as palavras?

Conversar é o melhor caminho e/ou buscar ajuda psicoterapêutica quando esse comportamento compulsivo não for resolvido dentro do esperado, pois a construção da linguagem se dá no processo social, ou seja, no convívio harmonioso entre pessoas.

Numa visão mais neurocientífica, podemos explicar que o nosso cérebro tem uma área denominada de ínsula que fica próxima ao sistema de recompensa e tem como função promover as sensações e as emoções dos prazeres imediatos. Essa região é localizada próxima às áreas da fala, elaboração da linguagem e pensamentos, são elas: Wernicke e Broca, ambas com funções executivas e cognitivas.

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Muitas pessoas acreditam que falar palavrões dá um rápido alívio e, como num passe de mágica, seus problemas emocionais se resolverão imediatamente. Nossas crianças aprendem por estímulos e os pais precisam ficar atentos sobre esse comportamento e repreendê-las sem ameaças, mas dialogando sempre.

Vale uma dica

Use e abuse das áreas da linguagem que se localizam na área do cérebro pensante, próximo ao córtex pré-frontal que tem como principal função a de elaborar as nossas escolhas e decisões, ou seja, a razão. Oriente sua (seu) filho(a), a pensar antes de falar palavrões.

Bióloga; Doutora e Mestre em Psicanálise; Neuroanatomista; Neurofisiologista; Psicopedagoga e Especialista em Bioética; Tem certificação no programa internacional em Reggio Emília Study Abroad Program na Itália; Title of People Expression Special category Best Practices in Education Neurosciences and childhood and adolescence learning of Erasmus+ University – Europe – Portugal; Membro Efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento; Membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia Rio de Janeiro; Autora de livros e DVDs sobre Neurociência e Educação – Transtornos da Aprendizagem publicados pela Editora WAK e Editora Qualconsoante de Portugal; Atua ainda como Professora Universitária na Universidade AVM Educacional / Cândido Mendes, nos cursos de pós graduação em Psicopedagogia, Psicomotricidade, Neurociência Pedagógica, e na formação Docente; Professora na Universidade Estácio de Sá no Rio de Janeiro nos cursos das áreas: saúde, licenciatura; Professora Mentora do curso de Neurociência e Educação CBI OF Miami. Professora, pesquisadora convidada no curso de pós graduação de Neurociência do IPUB/ UFRJ. Coordenadora do Programa de Pós graduação de Neurociência Pedagógica na Universidade Candido Mendes/ AVM Educacional. Palestrante no Brasil e no exterior.