Maturidade emocional não é um processo automático

O que significa ter maturidade emocional? Já que ela não é um efeito natural vindo com a idade.  

O cérebro não amadurece apenas com o passar do tempo. Ele amadurece com as experiências que elaboramos, com os vínculos que estabelecemos e com a capacidade de exercitar a neuroplasticidade.

A maturidade emocional não é um efeito automático da idade, mas do quanto somos capazes de refletir, regular emoções e reorganizar padrões internos. É essa plasticidade cerebral que nos permite sair das ilusões que um dia foram necessárias para sobreviver, mas que já não servem para viver.

Como funciona o cérebro de quem possui maturidade emocional

Quando Lya Luft afirma que a maturidade permite “olhar com menos ilusões”, ela descreve um cérebro que já não precisa idealizar para se sentir seguro. Um cérebro que aprendeu a tolerar frustrações sem entrar em colapso emocional e que aceita limites sem perder a própria dignidade afetiva.

Aceitar com menos sofrimento não é resignação. É sair da luta constante contra a realidade. Na clínica, isso acontece quando esquemas emocionais rígidos, tais como: abandono, exigência excessiva ou idealização, começam a se flexibilizar. O sofrimento diminui não porque a dor desaparece, mas porque a resistência a ela se transforma.

Entender com mais tranquilidade é sinal de um sistema nervoso menos reativo. Menos preso ao alarme, mais capaz de observar antes de responder. É o pré-frontal aprendendo a dialogar com a emoção em vez de ser sequestrado por ela.

E querer com mais doçura talvez seja o maior sinal de maturidade afetiva: quando o amor deixa de ser demanda e passa a ser presença. Quando o afeto não nasce da carência, mas da escolha consciente.

Maturidade não endurece.
Ela organiza.
Ela regula.
Ela suaviza.

Crescer, no fim, não é perder a sensibilidade, é aprender a cuidar dela com mais consciência.

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Psicóloga Clínica Cognitivo-Comportamental; Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde - UFP - Universidade Fernando Pessoa em Portugal. Defendeu a sua dissertação com excelência e nota máxima sobre: “A interferência das redes sociais nos relacionamentos”. Especialista em Psicologia da Saúde, Desenvolvimento e Hospitalização – UFRN; Especialista pela Faculdade de Medicina do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP – SP. Foi professora da Pós-graduação em Psicologia – Terapia Cognitivo-Comportamental (Unipê). Há 20 anos atendendo na clínica a adolescentes, adultos, casais e famílias. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mantém o Blog próprio desde 2008. Mais informações: www.karinasimoes.com.br. Atendimentos com consultas presenciais ou online