Meu namorado é viciado em crack. O que eu faço?

por Danilo Baltieri

"Terminar com ele ajudaria em seu crescimento e consequente abandono da droga?"

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Resposta: O comportamento de ajuda deve sempre ser estimulado; entretanto, o importante é saber “como ajudar”. Muitas vezes, julga-se estar ajudando, mas, na verdade, o contrário está sendo feito.

Acredito que o primeiro passo seja reavaliar o seu sistema de crenças quanto ao comportamento do indivíduo dependente químico.

Acreditar que ele é fraco, “não crescido”, e que você pode estar sendo responsável por esse “atraso” no crescimento dele, deve ser imediatamente revisto.

Um sistema de crenças errado, com premissas enganosas, contribui para a criação de mitos e pensamentos inadequados, o que, ao contrário de ajudar o dependente, acaba por:

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a) Proporcionar a redução da autoestima tanto do dependente quanto do seu par;

b) Limitar a possibilidade de relacionamento saudável;

c) Justificar os problemas do dependente, como uma possível vitimização (“ele usa, porque está muito estressado”, “ele usa porque não consegue crescer” etc);

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d) Associar o consumo de drogas com uma importante necessidade do dependente;

e) Minimizar os efeitos nocivos (“ele usa somente aos finais de semana e tem bom desempenho na escola”).

É importante revelar suas preocupações com o padrão de consumo de droga para o indivíduo dependente e estabelecer os seus limites. Nos relacionamentos saudáveis, a intimidade é possível quando as pessoas aceitam o risco de rejeição e revelam suas preocupações de forma clara e aberta. Essa abertura entre os parceiros costuma:

a) Indicar confiança;

b) Reconhecer que cada um é uma pessoa que pode tomar suas próprias decisões;

c) Declarar que cada parceiro é capaz de assumir suas próprias responsabilidades e sentimentos.

Ajudar um indivíduo dependente nunca implica em minimizar o seu comportamento ou justificá-lo com crenças inadequadas. Na verdade, é importante revelar para o seu namorado o quanto você está preocupada com o consumo de substâncias e o quanto isso tem prejudicado o relacionamento e propor a procura de ajuda.

Muitas vezes, o indivíduo dependente não vislumbra o seu consumo de substâncias como problemático, mas reconhece problemas com o relacionamento afetivo ou quaisquer outros, que na realidade estão associados com o próprio consumo inadequado de drogas. O segredo é respeitar os seus próprios limites, bem como chamar à responsabilidade o indivíduo dependente.

Professor Livre-Docente pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professor de Psiquiatria do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC. Pesquisador nas áreas de Dependências Químicas, Transtornos da Sexualidade e Clínica Forense.