Esta frase virou meme: “Adote um cão, e não um homem, pois ele espera ser cuidado”
Resposta: A educação masculina ainda carrega resquícios patriarcais. Por incrível que pareça, embora atualmente homens e mulheres trabalhem, persiste a expectativa que quem sai de casa e tem um dia exaustivo para prover a família de suas necessidades básicas, merece uma recompensa ao chegar em casa; tem o direito de se deitar no sofá e assistir seu programa favorito, enquanto a mulher prepara seu jantar, lava suas roupas, arruma sua cama. E quando sua participação nos cuidados com a casa, com os filhos e consigo mesmo é solicitada, começa uma DR sem fim.
Foi assim durante muito tempo. E hábitos demoram para mudar. Por isso, talvez ter um pet ao invés de um homem é a recomendação da vez.
Os pets também precisam de cuidados, mas não discutem. Basta dar-lhes a oportunidade de sobreviver e eles serão eternamente gratos, dóceis, alegres e darão ao seu dono a sensação de se contentarem com pouco. O que não acontece com os homens.
Ter um pet, pode ser muito bom. Mas, cá entre nós, trocar a relação com um homem pela relação com um pet, pode sinalizar uma dificuldade para estabelecer relações adultas, onde ambos entram com um grau de responsabilidade igual. Não se negocia com um pet. Mas na relação adulta saudável, a negociação é primordial; abrir mão de vontades e desejos em respeito ao outro é primordial; cuidar e ser cuidado é primordial. Para homens e mulheres, já que atualmente os dois são provedores.
Para quem ainda acredita na relação a dois, é imprescindível abrir mão do conforto que o comando monocrático traz. Mandar num pet, comprar sua comida, levá-lo ao pet shop, sair para passear com ele nos horários possíveis pode dar algum trabalho físico, mas não um trabalho mental como a irritabilidade provocada por uma discordância nos desejos.
E, claro, onde não há discussão, tende a haver mais gratidão.
Atualmente, as pessoas estão se acostumado a sobreviver sem a necessidade de formarem duplas para isso; se acostumando a reproduzir-se… sem precisar conviver com alguém; se acostumando a poder escolher o que querem sem a necessidade de abrir mão de algo por alguém. Mas continuam precisando de afeto, de gratidão, da sensação de ter alguma importância para alguém. E aí, convenhamos, o pet oferece tudo isso sem cobrança!
Homem que cobra cuidados ainda sobrevive
Mas voltando ao homem que cobra cuidados: sim, ele ainda sobrevive. E sobrevive porque a mulher permite. Com medo de ser rejeitada faz uma jornada tripla e ainda se sente devedora. Reclama, mas persiste em continuar aceitando.
Equilíbrio de tarefas tem que ser instituído aos poucos. Comportamentos que perduraram por séculos não serão extintos com tanta facilidade. O homem precisa aprender a fazer outro papel e a mulher precisa aceitar abrir mão do monopólio de cuidadora. Sim, porque muitas não têm paciência para ensinar e esperar o homem se aperfeiçoar num papel que ele não exerceu por muito tempo. E tomam a tarefa da mão deles ao primeiro “erro”, porque se julgam mais perfeitas e se orgulham disso.
Homens, mulheres, bebês, crianças, pets, todos merecem ser cuidados. Mas adultos têm que revezar esse cuidado se quiserem conviver bem em sociedade. Só cuidar de quem depende exclusivamente de cuidados pode parecer nobre, mas tira da pessoa a possibilidade de crescer e evoluir, socialmente falando. E cuidar de homens adultos sem ter a mínima reciprocidade… até pode, por opção. Mas sem queixas depois.
Atenção!
Esta resposta (texto) não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento.
