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Comportamento

Amor

Entenda a síndrome da mulher calada

Busque a Delegacia da Mulher e ajuda psicoterapêutica

26 abr, 2018

Por Tatiana Ades    

Muitas pessoas se assustam quando presenciam um caso de abuso físico, verbal ou emocional de um homem contra sua parceira e percebem que esta não faz absolutamente nada.

Dei esse nome para essa síndrome tão discutida nos EUA e Europa e que nada se fala aqui no Brasil.

Seu nome original é battered woman syndrome - tradução livre: síndrome da mulher agredida.

Vamos entender o porquê dessa mulher muitas vezes não reagir às agressões sofridas.

Fase 1

Na fase 1 da síndrome é o momento onde a tensão se instala. Ou seja, o homem deixa de fazer a pose de bonzinho e começa a se mostrar raivoso, impaciente e frio.

Nesse momento surge um conflito, onde a mulher possivelmente irá acreditar que é apenas uma fase ruim do homem.

Fase 2

Permanecendo nessa fase de conflito, ela já estressada, entrará na fase 2, onde o homem realmente irá agredi-la de diversas maneiras, como antes citamos: verbalmente, emocionalmente e/ou fisicamente.

Nesse período caótico, a mulher começará a viver os conflitos de um trauma, muito parecidos com os do estresse pós-traumático (estresse após situação de intenso perigo).

Durante essa fase, ela poderá criar a sensação de não ter poder o suficiente para deixar de ser dominada por esse homem. A sensação é de que indo embora, tudo será pior, pois na cabeça dela, nem a ajuda legal, policial ou mental irá ajudar.

Ela está num momento de estresse tão alto que não consegue agir.

Muitas mulheres acabam bebendo e se envolvendo em drogas nessa fase tão angustiante, no intuito de descarregar tamanha tensão emocional.

Fase 3

A fase três é a fase "lua de mel", quando o homem pede desculpas e ela aceita.

Fechando essas três fases, uma bola de neve se inicia e cresce sem parar.

Se você vive uma situação de abuso e sente que não consegue fazer nada, saiba que há muito a ser feito, tanto em termos legais quanto mentais.

Busque a Delegacia da Mulher e busque ajuda profissional para recuperar a sua autoestima.

O processo é doloroso, mas permanecer nele pode ser fatal.


É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.

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