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Depressão e ansiedade na menopausa

Joel Rennó Jr. 15/05/2018 SAÚDE E BEM-ESTAR
Depressão e ansiedade na menopausa
Fonte: imagem: www.psiquiatriadamulher.com.br
Climatério: como lidar com ele e viver melhor?

Por Joel Rennó Jr.

O climatério vai dos 40 até 65 anos de idade e é um período de transição na vida da mulher, marcando o encerramento de sua fase reprodutiva, quando os ovários param de trabalhar e ela chega à menopausa.

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Num mundo repleto de apelos de sexualidade, busca da juventude constante, exposição excessiva de relação entre sucesso e produtividade profissional, encarar o fim desse ciclo pode mexer, e muito, com o emocional e a autoestima de qualquer uma…

Se considerarmos as mudanças hormonais, metabólicas, físicas e sociais decorrentes, dá para imaginar o porquê esse período pode causar depressão, ansiedade e outros transtornos em tantas mulheres! É tão importante poder contar com um especialista em saúde mental feminina neste período, que pode ser tão frustrante, dependendo da estrutura emocional, psicológica e familiar de cada mulher.

Perimenopausa, período para ficar alerta!

 O período crítico é a perimenopausa, que inicia por volta dos 45 anos e termina até um ano após a menopausa, aos 51 anos de idade, em média. A perimenopausa é caracterizada por oscilações dos níveis hormonais – principalmente o estrogênio e a progesterona -, sintomas físicos (dores e ondas de calor, insônia) e sintomas psíquicos (tristeza, irritabilidade, depressão e ansiedade).

Sabemos atualmente, através de estudos científicos, que há subgrupos de mulheres que são mais sensíveis às oscilações hormonais da perimenopausa. Tais oscilações funcionam como “gatilhos” para episódios depressivos na perimenopausa.

A perimenopausa, mesmo em mulheres sem histórico de depressão, é um fator de risco para a depressão, aumentando a chance em duas vezes, pois a mulher fica mais sensível às oscilações hormonais (e todas as outras, incluindo as psicossociais), podendo manifestar alterações de humor e comportamento, e até transtornos psiquiátricos, caso não seja devidamente acompanhada e tratada.

Desta fase, a mulher entra na então chamada menopausa, quando finalmente cessa sua menstruação. A partir daí, os transtornos psiquiátricos decorrentes da mudança hormonal são menos prevalentes.

Há fatores psicossociais preponderantes quer marcam esse período e podem estar na gênese dos transtornos psíquicos:

• A mulher que tinha uma vida socialmente ativa e se dedicou à família e à educação dos filhos, de repente se depara com os filhos crescidos, saindo de casa, e vive a síndrome do ninho vazio.

• A relação conjugal pode estar passando por transformações que exigem diálogo para reconstrui-la em novos moldes, pois também há alterações na libido e outras, decorrentes da mudança hormonal, como a dispareunia, que se caracteriza por dor durante a relação sexual, além de secura vaginal etc.

 Dependendo de seu arcabouço psicológico, recursos internos e personalidade, essa mulher irá elaborar de forma construtiva ou não as modificações que estão ocorrendo em sua vida na época da menopausa.

 Por se tratar de um período de transformações, há certa dificuldade por parte da classe médica em diagnosticar quando a tristeza, a irritabilidade, a mudança de humor da perimenopausa ou da menopausa caracterizam uma depressão, que precisa de tratamento psiquiátrico. Se você tem dúvidas quanto ao que está vivendo, não se intimide em procurar atendimento especializado em saúde mental feminina.

 O tratamento da depressão pode envolver equipe multidisciplinar, dependendo de cada caso clinico analisado individualmente, desde o uso de antidepressivos e hormônios até a psicoterapia.

A mulher menopausada bem assistida tem condição de viver com saúde, qualidade de vida e prazer. Basta se tratar adequadamente!

Fonte: www.psiquiatriadamulher.com.br




TAGS :

    climatério, menopausa, perimenopausa, ansiedade, depressão, mulher, psiquiatria

Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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