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Como age um cybercondríaco?

Redação Vya Estelar 14/08/2018 SAÚDE E BEM-ESTAR
Como age um cybercondríaco?
Fonte: Google Imagens
O conjunto de informações sobre inúmeras doenças obtidos na internet não pode ser admitido como suficiente para substituir uma criteriosa avaliação médica

Da Redação

A cybercondria é um problema contemporâneo, advindo do o uso errado de informações especializadas, presentes na internet. Na prática, o problema corresponde à hipocondria potencializada pela tecnologia, e pelas características da vida no século XXI. Ou seja, um distúrbio psiquiátrico reconhecido, amplificado pela falta de critério na interação com o mundo virtual somada à condição de isolamento, em que muitas pessoas se acostumaram a viver. Aliando-se à prática irresponsável da automedicação, a cybercondria representa risco real para o indivíduo acometido pelo distúrbio, e para seus familiares, muitas vezes crianças e idosos.

Os hipocondríacos da era digital realizam “diagnósticos” de forma onipotente. Fazem buscas pela internet e baseiam-se em sintomas, relatos do mundo virtual, informações em exames realizados em momentos diferentes, e experimentação de remédios, para determinar as suas doenças. A pessoa acredita que esta é uma maneira eficiente para solucionar problemas de saúde, e deixa de procurar a ajuda especializada dos médicos. Alguns cybercondríacos vão ao consultório levando o seu diagnóstico definido, e exigem um tratamento avançado para o problema que acreditam ter. E não é raro esses pacientes se recusarem a passar pela avaliação do médico.

Análise equivocada: mal-estar simples pode ser interpretado como doença grave

Diagnósticos estabelecidos por informações à distância, indicação de ex-pacientes ou amigos, são extremamente arriscados. Evidentemente, o fato de a internet oferecer um conjunto de informações sobre inúmeras doenças - que até podem ter sintomas similares aos que a pessoa sente ou acredita sentir - não pode ser admitido como suficiente para substituir uma criteriosa avaliação médica. E isso, porque a partir de uma análise errada, um mal-estar simples, pode ser interpretado como doença grave.

Por que evitar a automedicação

Apesar de representar perigosa mania nacional, a automedicação é desaconselhável. Ao submeter-se à medicação sem prescrição médica, o indivíduo corre risco de intoxicar-se, ocultar a existência de outro problema não diagnosticado ou até desencadear doenças de base emocional, como transtorno de ansiedade, síndrome do pânico e depressão.

Tentar classificar doenças apenas por um ou mais sintomas é um grave erro. O mesmo sintoma pode indicar quadros distintos, e que exigem tratamentos diferentes.

Portanto, é indispensável que um profissional médico faça a análise do indivíduo, avalie o seu histórico clínico, a sua condição geral e emocional, exames físicos e laboratoriais, entre outros, exigidos conforme a especialidade médica necessária para o tratamento. E tão importante quanto ter acesso ao diagnóstico correto feito pelo médico especialista, é o paciente aceitar o diagnóstico e seguir as orientações indicadas para a sua recuperação.


Fonte: José Toufic Thomé é médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, é Psiquiatra e Psicoterapeuta Psicodinâmico especialista em situações de crises e transtornos da contemporaneidade.




TAGS :

    cybercondria, hipocondríaco, automedicação, diagnóstico

Redação Vya Estelar

Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.



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