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Férias: viagens para os filhos, com os filhos e sem os filhos

Ceres Alves Araujo 10/01/2019 PSICOLOGIA
Férias: viagens para os filhos, com os filhos e sem os filhos
Fonte: imagem Pixabay
Escolher atividades que sejam fascinantes para crianças, adolescentes e adultos é uma tarefa muito difícil. Viagem mal planejada pode fazer com que ninguém volte satisfeito.

Por Ceres Alves Araujo

"A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"  Mário Quintana

Ainda que férias não signifique necessariamente viagens, tornou-se razoavelmente  comum o planejamento de viagens nas férias escolares.  Em função do interesse das pessoas, as viagens têm objetivos diferentes. Elas servem para descansar, pois evidentemente são férias, para conhecer lugares distantes, desconhecidos, o que traz experiências novas, ganho de conhecimento, para se propor a aventuras e mesmo simplesmente pelo prazer de conviver mais de perto com os familiares, o que nem sempre a rotina da vida fora das férias permite.

Para os casais que têm filhos, o período das férias escolares costuma ser logicamente o escolhido para se viajar em família. Cumpre, porém, se ter em mente com clareza qual é o objetivo da viagem planejada. Existem também diferenças importantes entre as viagens para os filhos, as viagens com os filhos e as viagens dos pais sem os filhos.

Planejar uma viagem para os filhos é escolher locais e atividades que possam ser interessantes e prazerosos para eles, levando-se em conta a idade que têm. É sabido que nem sempre o local e a atividade que agradam às crianças também conseguem agradar aos adultos da família. Mas, se o objetivo fixado foi realizar uma viagem para as crianças, o prazer a ser experimentado por elas é o fundamental. Nesse tipo de viagem os pais serão apenas coadjuvantes, exercerão apenas o papel de pais: cuidar, proteger e acompanhar.  Como exemplo desse tipo de viagem, tem-se a ida a parques de diversão, a praias, a resorts, onde crianças e adolescentes podem se divertir.

Quando se define um plano de viagem com os filhos é importante escolher locais e atividades que possam ser interessantes para todos os membros da família. Isso exige um planejamento mais complexo, pois tem-se que levar em conta as diferentes faixas etárias. Viajar com filhos adolescentes e filhos menores ao mesmo tempo, traz uma complexidade ainda maior. Escolher atividades que possam ser fascinantes para os pequenos, para os adolescentes e para os adultos ao mesmo tempo é tarefa muito difícil.

Diferente da viagem para os filhos, nas viagens com os filhos o local e o tipo de atividades a serem escolhidos deve levar em consideração a possibilidade de agradar e/ou de ser interessante e útil a todos. Como exemplo pode-se citar viagens a regiões, a cidades ou a países que a família ou os filhos não conhecem. Tais viagens significam um ganho de conhecimento inestimável para o ser humano, mas a dosagem da exposição adequada a atividades e lugares novos deverá variar em função das idades.

Visitas a museus são importantes para quaisquer idades, pois mostram o legado cultural da humanidade. Porém, se um adulto pode experimentar prazer em ficar horas nas dependências de um museu, o mesmo não acontece com as crianças. É preferível que elas sejam apresentadas a um único setor importante do determinado museu e depois retiradas do recinto. Terão a vida inteira para voltar e apreciar o que deixaram de ver e isso, sem dúvida, despertará sua curiosidade.

Horas em compras também não combina com programa para crianças, que ficarão entediadas. Além do fato que viagens não deveriam incentivar consumismo desnecessário. Concertos de música muito prolongados também não constituem atividades para crianças menores. Elas sentirão sono e cansaço, além do risco de deixarem de apreciar uma boa música, no futuro.

Frequência a restaurante estrelados não cabe muito no planejamento de viagens com as crianças, principalmente se elas foram pequenas. O tempo dispendido nas refeições não é compatível com o nível de tolerância das crianças, por mais bem educadas que sejam.  Provavelmente elas ficarão impacientes e agitadas. Também em respeito aos demais frequentadores do estabelecimento, elas não deverão ir para que não corram o risco de importunarem os outros.

Viagens sem filhos é uma outra opção e é uma opção importante para o casal de pais e para os adultos em geral. Nem todos, porém, podem se permitir tal opção, pois não têm com quem deixar os filhos, ou por serem muito pequenos, ou por não terem familiares disponíveis, o que é compreensível. Entretanto, existem pais que não admitem férias sem a companhia dos filhos e os levam para vários lugares, aproveitando toda a época das férias escolares, acreditando que, eles, pais, não podem ficar longe deles.  Muitos voltam exaustos, queixando-se do trabalho dado pelos filhos e das exigências e reclamações constantes deles. Aparentemente, nesses casos, ninguém aproveitou a viagem como era previsto ou desejado.

Pais têm o direito e precisam viajar sem os filhos, se tiverem condições para tal. A separação para uma viagem costuma ser muito benéfica, pois é no espaço da falta que nasce a saudade e o desejo. Além disso, para o casal de pais é uma forma de resgatar bons momento da conjugalidade.

Assim, para que a viagem seja de fato prazerosa, é preciso que os objetivos estejam bem claros. Ou seja, trata-se de uma viagem para os filhos ou uma viagem com os filhos?

Em qualquer das duas opções, se faz necessário muito cuidado com a logística de forma que ela atenda às complexidades de se viajar em família. Finalmente, no caso da viagem sem os filhos, a logística, embora não seja tão fundamental como no caso das viagens com os filhos, ela deve ser levada em conta, valorizando e respeitando gostos e preferências de cada um dos cônjuges.

Boa viagem!




TAGS :

    psicologia, viagem, férias, crianças

Ceres Alves Araujo

É psicóloga especializada em psicoterapia de crianças e adolescentes. Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC e autora de vários livros, entre eles 'Pais que educam - Uma aventura inesquecível' Editora Gente.



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