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Autoconfiança é pré-requisito para a mobilização máxima no desempenho de qualquer tarefa

Renato Miranda 07/02/2019 COMPORTAMENTO
Autoconfiança é pré-requisito para a mobilização máxima no desempenho de qualquer tarefa
Fonte: imagem Pixabay
Só pessoas com um bom nível de autoconfiança conseguem obter uma alta motivação

Por Renato Miranda

No texto anterior (veja aqui), expliquei que o bom humor em excesso pode se transformar em euforia e falei das possíveis consequências desse comportamento.

Prossigo agora apontando outras diretrizes sobre o tema.   

Como estratégia para o desenvolvimento do bom humor no esporte algumas diretrizes são oportunas. Tais diretrizes são oriundas de minhas vivências esportivas, estudos acadêmicos, pesquisas e conversas produtivas com vários colegas especialistas. Nos estudos destaco: Feijó, Cox, Csikszentmihalyi, Alexseev, Goleman, linch, Al Huang e Colwin.
 
O atleta deve encarar a competição como uma festa a fim desta mesma se tornar mais atraente e menos agressiva aos próprios atletas. Costumo dizer que um atleta de futebol que está disputando uma Copa do mundo e se sente pressionado, é um atleta mal preparado.

Isso porque ao participar de uma Copa do mundo, possivelmente, o atleta está realizando um de seus maiores sonhos da vida, e ademais, é um evento em que as pessoas não cansam de dizer que é uma festa do futebol mundial.

Assim sendo, o atleta deveria estar feliz e otimista (bem-humorado) em ser protagonista desse evento. E, além disso, sempre é bom lembrar do filósofo Johan Huizinga autor do célebre livro Homus Ludens que trata fundamentalmente da interpretação sobre o instituto do jogo na cultura humana.

Entre tantas ideias, ele diz que a tensão é a própria magia do jogo. Ou seja, se não há tensão não a graça na competição. Mesmo porque, para ele, a essência do lúdico se resume na frase: “há alguma coisa em jogo!”.

Outra diretriz é estimular o atleta a acreditar em suas próprias forças, a fim de criar e manter a autoconfiança. A autoconfiança é pré-requisito para a mobilização máxima. Ou seja, reunir em melhor nível possível todo o potencial físico, mental e emocional do atleta ao intervir em suas tarefas.

Somente atletas com um bom nível de autoconfiança conseguem obter um bom nível de motivação para um melhor desempenho, pois o que auxilia a impulsionar o atleta são suas expectativas de sucesso em relação a ele mesmo.

Confiar em suas habilidades e ter uma autoimagem positiva não garante um melhor desempenho, mas favorece significativamente a manutenção do bom humor e seu nível ótimo de concentração, controle da ansiedade e motivação que em consequência poderão repercutir no desempenho.

Adquirir confiança é um processo no qual o atleta afasta sua energia do compromisso tenso da vitória, que significa ganhar a qualquer preço, e desenvolve um sentido de integridade, capacidade pessoal e preparo que é, na verdade, o que proporciona o sucesso.
 
Outra diretriz importante é a manutenção máxima da energia psicofísica em todo o processo competitivo a fim de o atleta usufruir melhor de todo seu potencial e com isso facilitar o bom humor, satisfação e prazer.

Satisfação, como matéria-prima do prazer e o mesmo prazer como produto final da atividade estão entre os objetivos principais a serem considerados por aqueles que se dedicam ao esporte. Isso porque quando o atleta gosta do que faz, e, portanto, tem satisfação ele treina melhor e com bom humor (alegria!).

Por outro lado nesse cenário, o atleta tem melhores condições de desenvolver sua persistência e sua motivação, habilidades psíquicas responsáveis para a aquisição de gestos técnicos em alto nível que repercutem em sucesso, por exemplo: uma defesa espetacular do goleiro no futebol, um arremesso primoroso no handebol, um levantamento magistral no vôlei e outros.




TAGS :

    autoconfiança, motivação, autoimagem

Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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