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A importância das primeiras experiências da mãe com o bebê; entenda

Aurea Caetano 13/02/2019 PSICOLOGIA
A importância das primeiras experiências da mãe com o bebê; entenda
Fonte: imagem Pixabay
“A ciência é a ferramenta do espirito ocidental, e podem ser abertas mais portas com ela do que com as mãos desnudas. Forma parte de nossa compreensão e obscurece a penetração apenas quando se torna um fim em si mesma.” (Jung, CW 13, par. 2)

Por Aurea Caetano

Já conhecíamos a importância das primeiras experiências com a mãe e/ou cuidadores do ponto de vista da relação psicodinâmica, mas essa importância tem sido corroborada e acentuada a partir do ponto de vista científico. Os estudos da neurociência têm trazido conhecimentos muito importantes acerca dos primeiros meses de vida de um bebê.

Piaget, pensador do desenvolvimento infantil já dizia que nascemos seres biológicos, mas a relação com nossas raízes sociais vai moldando o ser que seremos e a mente que desenvolveremos. Sabemos hoje em dia, a partir dos estudos da Epigenética, que a expressão genética de um ser humano é modulada pela relação com o meio ambiente, daí a importância fundamental das primeiras relações com a mãe e/ou cuidadores. Genes formatam apenas em linhas gerais as funções mentais e comportamentais, a herança dá certas direções, mas fatores ambientais, principalmente os relativos ao cuidador primário, afetam o modo mediante o qual os genes se expressam.

A mente do bebê emerge a partir das atividades do cérebro cujas estruturas e funções são formadas a partir dessa relação do biológico com as experiências interpessoais. Padrões de relacionamento e comunicação emocional afetam diretamente o desenvolvimento do cérebro. A emoção funciona como um processo organizador central da estrutura neurológica e, a capacidade do indivíduo para organizar emoções, que são produto das relações afetivas iniciais, determina a capacidade da mente para integrar experiência e se adaptar a futuros estressores.

Padrões de comunicação muito precoces entre pais e criança vão determinar as formas através das quais a autorregulação será possível desde o início do desenvolvimento. Estabelece-se desde o início da vida uma intersubjetividade que envolve a mútua interpenetração de mentes, o que permite dizer que uma mente pode “ler” o conteúdo de outra mente. A descoberta do sistema de “neurônios espelho” ajuda a comprovar, de forma científica, essa capacidade que é uma das formas básicas de cocriação da mente do bebê.

Representações internas dos estados corporais associados com as ações, emoções e sensações são evocadas no observador “como se” tivesse realizado uma ação similar ou experimentado emoções ou sensações similares. Bebê e mãe, ou cuidador primário, através desse sistema afinam suas interações, permitindo que a mãe perceba as necessidades do bebê que ainda não consegue falar e que a criança também vá “lendo” a mente da mãe e imitando seu comportamento. Desta forma suas trocas se tornam mais harmônicas possibilitando uma relação de empatia imprescindível para o desenvolvimento neurofisiológico e social da dupla bebê-mãe/cuidador.
A descoberta acidental dos neurônios espelho, o trabalho com epigenética e a possibilidade de estudos sobre a dinâmica e neurofisiologia do cérebro, ampliam, enriquecem e corroboram a forma como compreendemos as primeiras relações, mãe-bebe por exemplo, mostrando a interconexão dinâmica entre natureza e experiência.




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    psicologia junguiana

Aurea Caetano

É psicóloga formada pela PUC-SP, trabalha em consultório com atendimento de adolescentes, adultos e casais. Mestranda em Psicologia Clínica na PUC-SP, analista junguiana formada pela SBPA- IAAP (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica).



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