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Cuidar do afeto e da familía ajudam a ter um dia produtivo no trabalho

Roberto Shinyashiki 01/01/2016 COMPORTAMENTO
O contrário de competir é conviver

por Roberto Shinyashiki

Aprender a conviver e desfrutar a companhia dos seres amados não é um favor que o homem presta aos outros, mas sua grande oportunidade de ter uma vida mais plena. Todo homem tem direito à sensibilidade, a curtir a intimidade com as pessoas que ama. Nós, homens, fomos treinados durante milênios para ser duros, fortes, agressivos e para sobreviver num mundo de guerras. Esta visão do homem como aquele que não tem afeto nem sentimento destrói a alma masculina. É legal que você perceba que seus sentimentos, afetos, medos e alegrias têm imenso valor.

E quando você se valoriza, vai valorizar também o afeto de seu filho, a alegria de sua filha, o medo das pessoas que você ama e estão precisando de proteção, um ombro amigo, orientação. Somente quando o homem se permite ser frágil e compartilha suas angústias é que verdadeiramente fortalece sua alma. Infelizmente, percebo que o modelo masculino de força é ainda o da força para conseguir dinheiro, ser agressivo, ser capaz de gritar com a mulher e com os filhos.

Pais, peço que adquiram a verdadeira força, aquela que vem da humildade, da simplicidade, da sensibilidade, até do medo. Uma das coisas mais lindas é o momento em que um pai chega para o filho adolescente e diz "filho, eu também estou sentindo medo", e o filho percebe que pode dar um abraço e dizer "papai, nós te amamos e estamos com você, esteja empregado ou não". Então, percebemos que o verdadeiro amor pode chegar ao coração do homem.

Conviver com os filhos muitas vezes é aprender que mais importante que dar um brinquedo é saber brincar com eles. Quando me perguntam que tipo de brinquedo dar aos filhos, imediatamente respondo: "Gente, os melhores brinquedos para uma criança são os pais – e outras crianças!"

Existem pais que dão muitos brinquedos aos filhos para que eles fiquem distraídos e não interrompam suas ocupações. Outros os enchem de brinquedos na esperança de demonstrar amor. Os filhos passam a amar os brinquedos e não valorizam as pessoas. Compare uma criança manuseando sozinha o controle remoto de caríssimo robô cheio de luzes com outra aprendendo a fazer uma simples pipa com seu pai. Qual das duas é mais feliz?

Infelizmente, muitos homens acham que são amados porque o filho precisa do dinheiro deles, porque a esposa precisa de sua força. E morrem sem ter a percepção de quanto essas pessoas os amavam, sim, mas pela alma, pela essência.

Permita-se curtir a vida com seus filhos, permita-se ser feliz tomando um sorvete, indo ao parque com os filhos, jogando bola com eles, comendo um pedaço de melancia com sua esposa. A presença do pai pode transformar a pracinha do bairro num parque de diversões, assim como a companhia de amiguinhos tem o poder de converter o beliche do apartamento numa cabana construída no meio da floresta. A criatividade é um grande tempero de todos os aspectos da vida. Gente precisa de gente por perto.

Não precisamos de dinheiro, nem de restaurante elegante, nem de carro do ano para sermos felizes. Precisamos apenas usufruir a dádiva da vida. Tenha bem claro: aproveite para brincar com seu filho agora. Nem que seja por dez minutos, de manhã, antes de sair para o trabalho. Tenho certeza de que seu dia será mais colorido.




Roberto Shinyashiki

É médico psiquiatra, com especialização em Administração de Empresas (MBA USP), é consultor organizacional, palestrante e autor de 12 títulos, entre eles o lançamento “Tudo ou Nada”, “Heróis de Verdade”, “Amar pode dar certo”, “O sucesso é ser feliz” e “A carícia essencial”. Mais informações: www.shinyashiki.com.br



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