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Casados em casas separadas, mas ao nascer o primeiro filho, como fica?

Anette Lewin 01/01/2016 PSICOLOGIA
Numa relação adulta são duas pessoas que decidem

por Anette Lewin

"Preciso de ajuda, pois não sei o que fazer. Namoro há sete anos e de um tempo pra cá, fiz a tal pergunta: quando iremos morar juntos? Resumindo, ele fala que nossa união é um casamento moderno cada um na sua casa. Até ai ok, mas se porventura engravidar, ele fala que a criança vai ficar uma semana com ele e outra comigo. Não acho certo isso, pois cresci sem pai. O que faço? Ele está irredutível. Obrigada."

Resposta: Primeiro questionamento a ser feito: por que você pergunta a ele? É ele quem vai decidir? E você vai aceitar a decisão dele sempre? Se vierem a morar juntos e tiverem filhos, você pretende perguntar a ele o que fazer? Talvez então, a primeira questão a ser discutida seja essa sua postura frente ao namoro.

Parece que você está esquecendo que numa relação adulta são duas pessoas que decidem. É claro que se você assumir uma postura passiva, ele entenderá que você está dando a ele o direito de decidir. Do jeito que ele quiser. É isso mesmo que você espera do seu relacionamento? Ou pretende ter voz ativa no comando da relação do casal?

Bem, se para você está bom dar a ele o monopólio das decisões referentes à vida do casal vale a pena esperar. Uma hora ele pode tomar uma decisão de ficar ou não com você. Mas é importante que você perceba se existe realmente em você essa tendência à submissão; se você aguenta obedecer decisões de terceiros. Se concluir que sim, apenas espere, pergunte de vez em quando e esteja preparada para ganhar ou perder.

Pelo que escreve, porém, não parece que essa postura esteja confortável para você. As respostas que você obtém não agradam porque não batem com o que você gostaria de ouvir. Ele fala claramente: ou é do meu jeito, ou de nenhum. Pode ser que ele mude? Sim, ele pode mudar se você trocar essa sua postura passiva por uma atitude mais madura, apresentando-se como uma pessoa interessante, disposta a emitir opiniões sensatas e não apenas ouvir e acatar a opinião do outro.

Você não parece estar satisfeita com essa "união moderna" que existe entre vocês. A questão dos filhos é uma forma de você sentir se existe nele a disponibilidade para conviver com você no futuro. Pelas respostas que ele dá, parece que não. Assim cabe a você decidir se vale a pena namorar e ter filhos com uma pessoa cuja visão de relacionamento está tão distante da sua.

Você namora há sete anos e, certamente, tem uma certa resistência a romper esse namoro e morrer na praia. Pense porém que uma pessoa que não quer você por perto no dia a dia deve ser alguém que preza sua própria liberdade mais do que tudo. E você, talvez, não esteja dando a ele a oportunidade de ser livre ao seu lado. O que acontece? Brigas? Discussões? Cobranças? Bem, se o cotidiano de vocês for assim fica difícil imaginar um convívio agradável e uma vida a dois cheia de planos. Aí, a saída dele é optar pelo "cada um na sua casinha".

É possível, porém, que ele não esteja ainda suficientemente maduro para assumir casamento, filhos etc. Se for assim, apesar do longo namoro, talvez valha a pena consolidar mais esse relacionamento antes de pensar em viver juntos. Afinal, nos dias de hoje a prontidão para dividir uma vida em comum chega mais tarde; as pessoas estão confortáveis em seus contatos por celulares e tablets e adiam convívios e responsabilidades reais, certamente muito mais trabalhosas.

Mas também existe a possibilidade de você ainda não estar madura e estar lutando por uma pessoa que não consegue compartilhar planos em comum. Ou seja, será que você escolheu de fato uma pessoa que gosta do seu jeito? Ou a relação começou circunstancialmente e vai caminhando apenas porque não aconteceu algum atrito suficientemente forte para provocar uma ruptura?

Tente entender melhor esse relacionamento, ao invés de se agarrar a ele como sua última esperança; veja o que ainda resta de saudável e positivo nessa relação tão desconfortável para você. E tome sua decisão levando em conta a sua capacidade de amadurecer para uma vida a dois mais próxima do que você deseja. Com ele ou com outro.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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