DESTAQUES

Como lidar com o alto nível de estresse?

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
A avaliação psiquiátrica é importante

por Joel Rennó Jr.

"Tenho 37 anos e sofro cada vez que passo por uma situação de grande estresse. Começa com um suor incontrolável, minhas mãos ficam geladas e suam frio, me dá falta de ar, minha respiração encurta, sinto dores no peito e nas costas devido ao esforço que faço para respirar. Tenho vontade de sair correndo ou tenho a sensação de que algo ruim irá acontecer. Tento me controlar mas não consigo, sinto um nó na garganta e dificuldade para respirar sempre que passo por uma situção dificil ou estressante; o que só melhora após o problema resolvido. Ultimamente, percebo uma maior frequência desses estados de mal-estar e angústia. Por favor me ajude."

Resposta: Na atualidade, quaisquer sintomas como ansiedade, depressão, desânimo, cansaço, irritabilidade, insônia, falta de ar, tonturas, náuseas e vômitos, formigamentos em extremidades, sensação de nó na garganta e dores generalizadas pelo corpo, além de falta de atenção e prejuízos de memória, viraram sinônimo de estresse.

O termo estresse vem sendo usado perigosamente e de forma generalizada. Motivos para estresse não faltam: violência nos centros urbanos, trânsito caótico, competições agressivas no ambiente de trabalho, cobranças excessivas e desproporcionais de superiores, desemprego, dívidas, impostos absurdos, conflitos familiares, doenças, entre outros.

Há vários estágios e graus diferentes do nível de estresse. Há o estresse agudo e o crônico. O problema do estresse é quando ele não é controlado satisfatoriamente por mudanças ou medidas simples, causa grande disfuncionalidade e sofrimento. Há também a necessidade de uma ampla investigação clínica (algumas doenças como disfunções tireoidianas podem dar sintomas semelhantes) e psiquiátrica para o diagnóstico diferencial com transtornos de ansiedade e depressão. O *subdiagnóstico psiquiátrico ainda é muito comum e isso pode gerar sérias consequências aos pacientes e seus familiares.

Medidas para combater o estresse ou "receitas de bolo" não faltam nas notícias da imprensa. Alguns conselhos como: "equacione melhor o seu tempo", "desenvolva melhor a autoestima", "faça atividades físicas aeróbicas e tenha uma alimentação saudável", "pratique atitudes altruístas", "faça ioga ou meditação" sempre são recomendadas.

Claro que tais sugestões ajudam a melhorar o nível de estresse, mas para muitos pacientes demonstram-se insuficientes ou limitadas. Temos estudos genéticos que demonstram claramente que as pessoas diferem quanto à vulnerabilidade ao estresse gerado por fatores ambientais. Há também fatores subjetivos que podem causar estresse, apesar de não haver aspectos ambientais desfavoráveis ou negativos (alguns tipos de personalidade podem aumentar a vulnerabilidade ao estresse). Portanto, precisa haver um plano preventivo ou terapêutico individualizado, sem soluções universais para todos.

A avaliação psiquiátrica é importante pela questão do diagnóstico diferencial entre doenças clínicas ou psiquiátricas. O limite entre estresse e transtorno mental é mais tênue do que as pessoas imaginam. Trabalhar a parte cognitiva, ou seja, a forma como as pessoas reagem perante a estímulos estressores, tentando buscar alternativas aos pensamentos negativos perante às situações catastróficas também ajuda. Álcool, cigarro e ansiolíticos (calmantes) são armadilhas perigosas e traiçoeiras que as pessoas costumam utilizar para combater o estresse diário. É muito comum as pessoas usarem tais substâncias para se sentirem relaxadas-o que no longo prazo só leva a sérios prejuízos.

* Usamos o termo subdiagnóstico em medicina quando o número de diagnósticos é menor do que o de doenças. Esse número deve ser igual. Ou seja: na prática, há a falta de diagnósticos corretos.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento.




Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



ENQUETE

Você sente dificuldade de sair de um relacionamento abusivo?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2019
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.