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Copa do Mundo: atuação de jogadores em campo pode trazer lições de ética às crianças

Ceres Alves Araujo 01/01/2016 PSICOLOGIA
Jogos não podem ser ganhos com deslealdade, violência e maldade

por Ceres Alves Araujo

Na época da Copa do Mundo, mesmo as pessoas que não apreciam tanto o futebol, se veem envolvidas no clima de torcida e no clima de festejos que cercam os jogos. Álbuns de figurinhas, “cards”, bandeiras, cornetas, camisetas: nunca o verde-amarelo foi tão cultuado. Os jogadores de futebol passam a ser considerados ídolos, principalmente pelas crianças.

Quem são esses ídolos? Quem são essas pessoas que estão servindo de modelos de identidade para nossos filhos? São aqueles que, como o Messi da Argentina distribui parte de seus ganhos para instituições que amparam crianças em seu País ou são aqueles que se gabam que a violência contra o adversário é justificável ou que se sentem acima da ordem e da lei?

Levamos anos para começarmos a nos livrar daquela ideia maléfica de que o brasileiro é aquele que dá um jeitinho em tudo, que é malandro, que é esperto e que sempre leva vantagem (às custas dos outros, é lógico), ideia propagada, coincidentemente por outro jogador de futebol, há tempos.

A televisão mostra jogadores fazendo faltas sobre faltas, muitas intencionais; jogadores que propositadamente chutam, não a bola, mas pisam ou chutam seus adversários, em lugares precisos do corpo, que podem inutilizá-los para sempre como jogadores. Isso é maldade pura, é falta de lealdade e é falta de caráter. Pais precisam apontar isso para seus filhos. Devem aproveitar essas cenas, tão repetidamente mostradas na televisão, para exemplificar o que não pode ser feito em nenhuma situação e nem em nenhum momento da vida.

Jogos não podem ser ganhos com deslealdade, violência e maldade. Da mesma maneira, na vida nada se ganha com deslealdade, esperteza e violência.

Pessoas que fazem alarde da própria violência, que não têm controle sobre seus impulsos e que abusam de sua agressividade merecem, de verdade, a expulsão, não somente de jogos, mas das chances e benefícios do convívio com os demais. Jamais poderão ser vistos como líderes ou modelos de identidade para nossos filhos.

É necessário que os pais expliquem para seus filhos o que significa expulsão em jogos de futebol. Devem mostrar que expulsão é fazer sair à força, é expelir, é excluir vergonhosamente do grupo. É um castigo que se aplica para atos desonrosos, na classe, na escola, no trabalho, nos esportes, enfim na vida.

O ser humano não é perfeito, sabe-se que errar é humano, mas é necessário que se aprenda com seus próprios erros. Aprender com seus próprios erros é assumir a responsabilidade pelo que se fez de errado e é buscar comportamentos reparadores frente à pessoa, grupo ou situação que foi prejudicada com o erro nosso.

É exatamente o oposto do que já assistimos por parte de jogadores (inclusive em seus comentários) em jogos de Copa do Mundo, e que certamente se repetirá em 2014. Eles não assumem a responsabilidade por seus erros. O problema é sempre projetado fora, no outro, o que faz com que eles, “coitadinhos” ainda se coloquem como vitimas de injustiças! Nossos filhos não podem assistir essas declarações passivamente. É fundamental que os pais ajudem as crianças a desenvolverem um espírito crítico frente a essas desculpas imorais. Ética precisa ser ensinada e vivida junto a nossos filhos.

Aproveitem essa oportunidade da Copa do Mundo e ensinem o que não pode e não deve ser feito!




Ceres Alves Araujo

É psicóloga especializada em psicoterapia de crianças e adolescentes. Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC e autora de vários livros, entre eles 'Pais que educam - Uma aventura inesquecível' Editora Gente.



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