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Poder e submissão: você joga no seu relacionamento amoroso?

Tatiana Ades 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Jogar no amor nos prende a comportamentos destrutivos

por Tatiana Ades

"Esse tipo de amor eu não quero", me confessou Marcelo (nome fictício) enquanto me olhava confuso.

Como terapeuta, nos sentimos tocados por diversos casos de amor e desamor que os pacientes nos trazem ao divã. São histórias de frustrações, medos, angústias, abandonos... Mas qual ser humano não sentiu uma vez na vida essa solidão quando o ser amado se vai?

Marcelo me explica então, que o tipo de amor que não lhe convém é aquele no qual ele precisa ser sempre o lado frágil da relação.

Questiono a ele sobre a fragilidade e ele me diz que ser frágil é se submeter ao outro, sentir-se sempre submisso e frustrado, precisando dar cada vez mais para sentir afeto, me diz em tom amargo: "Sinto-me um mendigo no amor".

Clara (nome fictício), é uma paciente que diz precisar estar no controle para sentir amor. Vou mais fundo e ela me confessa que homens bem resolvidos a assustam, ela precisa sentir que a pessoa ao seu lado é, de certa forma inferior, pois dessa forma tem uma adrenalina e uma compensação do vazio que sente.

Cada vez mais noto que as pessoas têm suas "balanças de emoções" muito direcionadas a carências e muito pouco estabelecidas em um amor saudável e que traga uma troca justa.

É como se estivéssemos vivendo em pleno século 21, numa disputa de poder entre namorados e casais. A insegurança está incrustrada nas pessoas que encontram no outro uma forma de compensação de suas melancolias.

Fetiche da alma

O fetiche da alma, termo que criei, significa a necessidade de amar de uma forma determinada, ou seja, ou sou o escravo submisso ou sou o dominador e preciso estabelecer esse jogo para conseguir sentir que estou em equilíbrio.

Mas um jogo nunca será equilibrado e nunca trará paz real.

O final dessas histórias, assim como as de Marcelo e Carla terão um final infeliz e doloroso, como consequência eles buscaram perfis parecidos com os anteriores para preencherem suas carências afetivas.

Pergunto a você:

1ª) Você sente que está jogando em seus relacionamentos?

2ª) Sente que precisa ser submisso ou controlador o tempo todo?

3ª) Está satisfeito com o equilíbrio da balança? Doa e recebe amor na mesma proporção?

Avalie essas três questões e se questione sobre o que realmente busca para a sua vida. Amor não é necessário por que a sociedade estabelece, amor acontece porque aos poucos nos envolvemos com outro ser humano que nos faz sentir paz, segurança, autoestima boa, confiança e lealdade.

O amor que joga e estabelece padrões de poder ou submissão pode se tornar um jogo muito perigoso e cruel, estamos mexendo com as nossas vidas e disfarçadamente cutucando as nossas feridas mais fortes e primitivas.

Esse fetiche emocional nos prende a comportamentos destrutivos e repetitivos, onde não conseguimos sair de relações frustradas e dolorosas. Se você está jogando no amor, algo em seu emocional não está confortável.

Sem jogos: equilíbrio é a chave

Caso esteja doando e recebendo numa proporção de 50% cada um, você está equilibrado e coerente com o lado saudável de um relacionamento e terá muito mais chances de ter o tão sonhado final feliz que todos nós buscamos.




Tatiana Ades

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.



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