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Autoeficácia, autoestima e senso de controle influenciam todas as ações na vida

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Perda de controle está relacionada a problemas de autoestima

por Elisandra Vilella G. Sé

É natural no ser humano sentir a necessidade de controlar os eventos e a as situações que afetam seu bem-estar, isso chama-se senso de controle.

O senso de controle se expressa como a tendência a agir e a sentir-se como alguém que pode influenciar as várias situações da vida, como se exercesse uma influência nos acontecimentos. E a perda de controle se expressa como a tendência a sentir que os acontecimentos são causados por forças externas.

O conceito de controle tem sido definido como o uso do julgamento independente, o grau de contingência entre uma resposta e um efeito, expectativas com respeito ao controle interno e externo e percepções de autoeficácia (capacidade de avaliar habilidades, de organizar e realizar ações).

O controle sobre o ambiente individual tem sido visto como motivação humana básica e mais recentemente muitos estudos indicam que a presença ou ausência de controle exercem importante influência no bem-estar físico e emocional.

O senso de controle é uma propriedade na natureza humana e cognitiva. Todos nós temos a perspectivação sobre algo. Toda atenção que damos sobre algo, é muito mais que uma atenção, é uma atividade manipulativa. Isso está na base da espécie humana.

Na literatura gerontológica encontramos a distinção de tipos de controle. Os "comportamentos de controle" que estão relacionados com a habilidade de regular ou influenciar as situações ou seus efeitos por meio de ações específicas. E existem duas formas de controlar uma ação ou evento: uma por meio dos esforços direcionados ao meio ambiente para mudar uma situação e outra um esforço direcionado a aspectos internos, ou seja, da própria pessoa para controlar emoções, por meio de pensamentos positivos para controlar as emoções negativas em relação a algum evento.

Isso significa que a pessoa por meio de pensamentos e crenças positivas pode reinterpretar as situações, dando um novo significado, tornando possível sua compreensão sobre o evento e aceitação.

O outro tipo de controle está relacionado às crenças de controle, que nada mais é do que o produto de outras crenças do indivíduo, refere-se à possibilidade de os eventos ou situações de vida serem controlados, isto é, aos julgamentos ou às expectativas sobre quanto os acontecimentos e seus efeitos dependem de características pessoais (exemplo da habilidade da própria pessoa) ou de fatores externos (fé, sorte, do destino). Isso varia muito de pessoa para pessoa quanto à atribuição causal que dão aos diferentes eventos.

A pessoa que atribui a causa de um acontecimento a fatores internos, que dependeram dela, de sua própria habilidade ou personalidade, esforço ... a consequência é a alta percepção do senso de controle e quando o resultado é negativo surge a culpa.

A pessoas que atribui aos eventos uma causa externa, tendem a atribuir os resultados dos eventos como sendo determinados pelos outros, é a crença na sorte ou no destino. A consequência negativa desse tipo de crença é a não resolução de muitas situações que dependeriam de ações da própria pessoa.

De modo geral, as pessoas não possuem um único tipo de crença. Existe uma variabilidade entre controle interno e externo.

Estudos na área de Gerontologia e Psicologia do envelhecimento afirmam que o senso de controle é essencial ao bem-estar das pessoas ao longo da vida.

A perda de controle está relacionada a problemas de autoestima, à redução do bem-estar e à depressão. Essa relação pode se intensificar na velhice, quando os fatores ambientais, relacionados ao aumento da idade (por exemplo perdas progressivas de amigos e parentes, mudanças nas expectativas estabelecidas no passado) causam impacto na percepção da própria competência e na capacidade de prever resultados das próprias ações.

Pesquisas na área da saúde também mostram forte associação entre perda do controle e o funcionamento dos sistemas endocrinológico e imunológico em pessoas em várias idades.

Todas as ações não envolvem somente saber fazer, mas também possuir crenças positivas em relação à sua autoeficácia.

Desamparo universal

Baixo nível de crença de controle geral e baixo nível de crença de competência pode gerar uma baixa percepção de controle, denominada desamparo universal. Um exemplo é a pessoa não se sentir capaz de mudar uma situação e também não se sentir responsável por ela.

Já pessoas com alto nível de crença de controle geral e baixo nível na crença de competência teriam baixa percepção de controle, a esse fato refere-se o desamparo pessoal. Um exemplo é a pessoa acreditar que uma situação depende dela, mas se sentir incapaz de resolver um problema, de fazer qualquer coisa para modificar o evento. E pessoas com alto nível de crença de competência e baixo nível de controle geral teriam baixa percepção de controle de uma situação, mas isso não resulta em desamparo. Um exemplo é a pessoa acreditar que pode mudar uma situação se dependesse de si.

Em linhas gerais, para melhor compreendermos as consequências dos diferentes tipos de controle sobre a adaptação do indivíduo ao longo da vida, é necessário entendermos sobre a veracidade do julgamento do indivíduo a respeito da relação entre comportamento e os eventos. O fato de um julgamento, uma crença de controle ser verídica ou utópica pode ser ou não eficaz. Depende de fatores circunstanciais, individuais e do momento da vida. Um exemplo é na medida em que um controle ilusório, um controle externo não gere comportamentos que se choquem com a realidade externa, ele será avaliado como eficaz. Então, uma pessoa pode acreditar que determinado evento depende apenas de suas capacidades ou pode acreditar que não há nada a fazer pessoalmente.

Existem alguns fatores que podem influenciar o senso de controle no processo de envelhecimento e pode ameaçar o controle sobe o próprio processo de envelhecimento.

Três fatores podem constituir ameaças ao controle:

1. O contexto social - ambiente em que a pessoa vive;
2. Os eventos de vida não previstos;
3. As características individuais (autoeficácia e autoestima) que diz respeito aos sentimentos e controle em situações que afetam a autonomia.

O julgamento e expectativas da própria competência ou autoeficácia ou autoestima são fatores centrais para o entendimento de como as pessoas se adaptam aos eventos de vida não previstos, às situações inesperadas, quanto às mudanças relacionadas o desenvolvimento que ocorrem ao longo da vida. Segundo Piper e Langer (1986) muitos pesquisadores têm reportado os efeitos positivos da crença no controle em vários tipos de comportamento incluindo melhoria no desempenho de funções, redução da ansiedade, redução de situações de estresse, aumento na adaptação aos estímulos adversos, tolerância à frustração e reduções em atribuições causais ao enfrentar dificuldades.

O Brasil ainda carece muito de pesquisas nessa área, principalmente sobre as tomadas de decisões e autonomia na velhice, processos adaptativos, quais fatores influenciam no senso de controle e autonomia dos indivíduos idosos.

Enfim, é importante saber que temos uma tarefa adaptativa ao longo do nosso desenvolvimento, o exercício do senso de controle e a sabedoria para a adaptação aos eventos.

Muitas vezes, em diferentes situações a própria natureza irá fazer os ajustes necessários em outros a própria pessoa precisará fazer funcionar a engrenagem da vida. É muito importante que a autoestima, a autoeficácia, o senso de controle, suas crenças e expectativas ajudem a pessoa a ter maior sensibilidade para sentir o que acontece ao seu redor e do mundo com os olhos da alma, a emoção do coração, a prudência e o bom senso da razão.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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