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Metacognição: a habilidade de pensar sobre o pensar

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Metacognição: saber lançar mão de estratégias autorreguladas

por Elisandra Vilella G. Sé

A metacognição é uma habilidade que se refere ao “pensar sobre o pensar”.

Habilidades metacognitivas são normalmente conceituadas como um conjunto integrado de competências para aprender e pensar. Incluem-se aí muitas das habilidades necessárias para uma aprendizagem ativa: o pensamento crítico, o juízo reflexivo, a resolução de problemas e tomada de decisão.

Adultos, cujas competências metacognitivas são bem desenvolvidas, são melhores solucionadores de problemas, com habilidades para tomadas de decisão e de pensamento crítico; são mais capazes e mais motivados para aprender, e são mais prováveis de serem capazes de regular as suas emoções (mesmo em situações difíceis), em lidar com a complexidade, e lidar com conflitos.

As habilidades metacognitivas quando bem aprendidas, podem tornar-se hábitos mentais aplicados em uma ampla variedade de contextos. Essa metacognição é importante até mesmo para os idosos que exercitam o corpo e a mente de forma consciente, principalmente para aplicá-la no dia a dia para a aquisição de novos conhecimentos e em novas situações.

Segundo o psicólogo norte-americano John Hurley Flavell (1979), que cunhou o termo, a metacognição é um sistema regulador que inclui conhecimento, as experiências, as metas e as estratégias. O conhecimento metacognitivo é o conhecimento geral armazenado, mais as experiências e o sistema de crenças; principalmente as crenças sobre si mesmo, as crenças sobre a capacidade em relação ao desempenho de tarefas, sobre as ações ou estratégias, e como todos esses fatores interagem para afetar o resultado de qualquer empreendimento intelectual.

Experiências metacognitivas são relações das experiências cognitivas e afetivas

O conhecimento é considerado metacognitivo (ao invés de simplesmente cognitivo) se ele é usado em uma estratégia, uma forma para atingir uma meta. Significa descobrir como fazer uma tarefa ou conjunto de tarefas e, em seguida, certificando-se que a tarefa ou conjunto de tarefas são feitos corretamente.

Com o processo de envelhecimento, pessoas com idade avançada e com um acúmulo de experiências passam a ter grande habilidade metacognitiva. É comum possuírem conhecimento sobre as pessoas, sobre as diferenças individuais entre elas e os outros; possuem um conhecimento metacognitivo sobre as tarefas a desempenhar, possuem informações disponíveis para aplicar numa atividade cognitiva e conhecimento sobre a demanda da tarefa em uma determinada situação.

Possuem consciência sobre as estratégias disponíveis que podem ser precisas quando ativas. Pessoas com metacognição bem desenvolvida podem apresentar grande capacidade de utilizar as experiências metacognitivas para enfrentar um desafio ou resolver um problema. É mais comum a ocorrências de experiências metacognitivas quando a pesso está envolvida de forma intencional e reflexiva na resolução de problemas.

As habilidades metacognitivas na velhice podem levar o idoso a estabelecer novas metas, fazer revisão sobre sua ação, ativar novas estratégias ou abandonar o que não é bom e selecionar o que é significativo. Uma grande habilidade metacognitiva é a transferência, a pessoa é capaz de utilizar uma habilidade aprendida em um contexto e usá-la de outra forma em outro contexto, modificando e monitorando o seu raciocínio.

A metacognição é bastante estudada na área de neuropsicologia e neurolinguística e existem inúmeros conceitos e modelos de metacognição, sobretudo de metalinguagem, que é a capacidade de reflexividade sobre a língua, por exemplo as operações efetivas que uma pessoa realizada com a linguagem, como saber dar uma resposta eficaz, saber argumentar, usar metáforas, fazer analogias, são operações metalinguísticas.

Como já mencionado acima, a metacognição é um componente central de vários conjuntos de habilidades que são centrais à educação e ao trabalho que inclui o juízo reflexivo, o pensamento crítico, a tomada de decisões e a capacidade de resolução de problemas.

Assim, pessoas adultas e idosas que querem voltar a estudar, aprender novos conhecimentos, retornar ao trabalho, aprender uma nova ocupação ou profissão dependem da sua habilidade metacognitiva que desenvolveram ao longo da vida para desempenhar várias tarefas educacionais com confiança, empenho e desenvoltura.

Essas pessoas devem estar conscientes quando possuem uma habilidade e quando não conseguem realizar algo; devem ser ser pró-ativas buscando informações quando necessário e tomar as medidas necessárias para dominar um conhecimento; devem encontrar um meio de solucionar problemas mesmo quando se deparam com obstáculos; e ver a aprendizagem como um processo sistemático e verificável, assumindo a responsabilidade para os resultados e a sua finalização; e monitorar a eficácia dos seus métodos de aprendizagem ou estratégias.

A metacognição significa saber lançar mão de estratégias autorreguladas e também incluem a autoavaliação, a organização e a transformação, a definição de metas e planejamento, a busca de informações, a manutenção de registos e de automonitoramento. Um domínio mental sobre o seu próprio conhecimento. É uma importante habilidade que se desenvolve no curso de vida, considerada um componentete fundamental para a motivação, o comportamento e a aprendizagem *autorregulada.

A metacognição têm sido um elemento de explicação sobre as crenças de autoeficácia, ou seja, as crenças sobre as nossas próprias capacidades.

* Aprendizagem autorregulada: ser autodidata, ter certo controle e autonomia no seu processo de aprendizagem, por exemplo quando uma pessoa se autoatualiza, se julga independente para aprender algo.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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