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Razões para se preocupar com as tendências do futuro

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Não se deixe levar cegamente pelas inúmeras novidades

por Valéria Meirelles

Um novo ano está começando e junto com ele, surgem esperanças de um amanhã melhor e mais permeável às novas possibilidades de melhoria da qualidade de vida humana e do planeta. Começo agora a série "Tendências", cuja proposta é mostrar aos leitores quais serão os próximos comportamentos, valores e movimentos mundiais que afetarão suas vidas no futuro - um futuro que começa no próximo minuto e pode ir até o ano de 2030.

Pensar no futuro não é uma prática comum e apenas alguns de vocês sabem com clareza o que estarão fazendo daqui dois ou três dias. Isso porque as pessoas tendem a evitar o assunto, já que um dia o futuro simplesmente acontece e aí então se pensa no que fazer.

Informação e tecnologia caminham num ritmo difícil de serem acompanhadas e rapidamente algo se torna obsoleto. As mudanças estão ocorrendo mais rápido do que se consegue assimilar e isso gera desconforto, preocupação e angústia, dificuldades que sequer se imaginava viver.

Muitas perguntas povoam sua mente, como por exemplo: se o século passado presenciou a ida do homem à lua, a adoção dos automóveis como meio de transporte local, assim como os aviões, a chegada da televisão, progressos da tecnologia e informática na área médica e doméstica, a integração dos computadores aos lares, Internet, entre tantas mudanças, o que mais poderá acontecer?

Ira Matathia e Marian Salzman, autoras norte americanas de um livro sobre tendências, ensinam a pensar nessas tendências como um ciclo de vida no qual "são semeadas ou fertilizadas, germinam, crescem, amadurecem, envelhecem e um dia morrem. Algumas tendências são reencarnadas após uma década ou mais, porém, muitas vezes de forma um pouco diferente", curiosamente, como os valores e crenças de uma família e da sociedade.

Fritoj Capra, físico e autor do consagrado livro "O Ponto de Mutação" ensina: "Vivemos hoje num mundo globalmente interligado, no qual fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e ambientes são todos interdependentes. (...) Conceitos e atitudes dominantes em vários campos refletem a mesma visão desequilibradora do mundo, que ainda é compartilhada pela maioria de nossa cultura, mas que agora está mudando rapidamente". Ou seja, qualquer alteração em um sistema levará a alteração em outros e assim sucessivamente, ocorrendo a quebra de paradigmas e o surgimento de novas tendências, pois existe a necessidade do novo, quando o antigo perde sua função e dificulta o crescimento de um sistema. Tanto que as palavras-chave na atualidade são: flexibilidade, mudança, complexidade, feedback, equilíbrio, compatibilidade e interdependência. O diferente passará a somar e não a dividir, uma vez que "(...) Nenhuma teoria ou modelo será mais fundamental do que o outro e todos eles terão que ser compatíveis". (Capra)

Talvez vocês estejam se perguntando para que se preocupar com tendências. Há várias razões para isso: vivemos numa sociedade em constante transformação que chega a colocar o homem em risco, como explica o sociólogo inglês Anthony Giddens através da expressão "risk society" (sociedade de risco). Somos diariamente confrontados com mudanças aceleradas que assustam e retiram do ser humano a sensação de conforto e segurança, expondo-o a novas situações e desafios. Negar essa situação é manter-se apegado ao passado, sem se libertar de hábitos e preconceitos, é assinar uma sentença de isolamento, dificultando seus contatos e o próprio desenvolvimento.

É preciso ter clareza que a globalização e as novas tendências afetam diretamente a vida cotidiana: pequenos hábitos, a educação de seus filhos, a necessidade de constante atualização profissional, compra de produtos de uma parte distante do planeta, a troca de informações pela Internet, e tudo isso em escala planetária.

Compreender a mudança implica em não se deixar levar cegamente pelas inúmeras novidades e refletir sobre o significado de cada uma delas na própria vida e na sociedade. Não é buscar um controle sobre algo incontrolável, mas encontrar um lugar de conforto e equilíbrio num mundo pautado por turbulências e guerras insanas.

Por detrás dessa atitude há algo muito importante que poucos percebem: a profilaxia ou a prevenção de dificuldades que podem comprometer a vida das pessoas nos mais diversos aspectos (físico, orgânico, emocional, afetivo, social, cultural, religioso e intelectual) e que interferem diretamente na saúde e na adaptação social e profissional, favorecendo o surgimento de inúmeras síndromes contemporâneas como pânico e depressão, além de contribuírem para o aumento do consumo de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos, conforme dados da Organização Mundial da Saúde.

Contraditoriamente, ainda que seja o próprio homem que tenha causado tantas transformações, esse mesmo ser continua buscando referências estáveis aos quais possa se agarrar e confiar. Uma das razões para o grande valor que as inúmeras religiões vêm adquirindo é justamente a oferta de tranqüilidade e esperança em meio ao caos que tem se tornado a sobrevivência humana.

Sendo assim, para compreender as tendências, a mulher atual deverá ficar atenta aos múltiplos processos que regem sua vida e ao mundo, pois tudo que acontecer a ele, não importa onde, também acontecerá a ela, mesmo que de forma indireta.

Identificar as tendências e posicionar-se frente a elas, representa estar atenta aos múltiplos processos da vida, sabendo que não existe mais uma única referência para se viver; é buscar reintegrar os fragmentos de si mesmo que a globalização dividiu; é se permitir aos poucos realizar a transição entre o passado e o futuro, sem perder suas raízes nem sua identidade. Um exercício inteligente e desafiador para o ano que se inicia.




Redação Vya Estelar

Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.



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