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Criança não se frustra ao descobrir que Papai Noel não existe

Ceres Alves Araujo 01/01/2016 PSICOLOGIA
Figuras imaginárias enriquecem a vida da fantasia da criança

por Ceres Araujo

No que se refere ao Natal, existem tradições, contos e lendas que são transmitidos de geração em geração. O personagem Papai Noel foi inspirado em São Nicolau, que se acredita ter vivido no século IV. A lenda diz que ele era um homem muito rico e generoso, que distribuía anonimamente dinheiro entre os pobres e presentes para alegrar as crianças. Ele colocava moedas de ouro em um saco que era distribuído nas chaminés das casas.

São Nicolau foi se tornando um símbolo do Natal. Acredita-se que a festa de São Nicolau, 6 de dezembro, com sua tradição de presentear as crianças, foi lentamente sendo transferida para o dia 25 de dezembro. Muitos países do mundo mantém essa tradição.

Conta-se às crianças que o Papai Noel é um velhinho muito bondoso, que mora perto do Círculo Polar e é dono da mais fantástica fábrica de brinquedos do mundo. Ele dará um presente para as crianças que tiverem sido boas durante todo o ano. Para tanto, elas devem escrever, com boa antecedência, uma cartinha ou, nos tempos atuais, um e-mail para ele.

As crianças sonham e fantasiam com o trenó e as renas que devem trazer o Papai Noel e seus presentes. Encontram os “ajudantes” do Papai Noel nas ruas e nas lojas. Quando as crianças acordam no dia 25 de dezembro, esperam encontrar o presente tão desejado.

Apesar de todo o consumismo que pode ser reforçado, não existem muitas dúvidas de que esta lenda, por sua antiguidade e abrangência é importante na vida dos nossos filhos. Ela está estreitamente relacionada ao significado do Natal, à medida que traz uma mensagem de amor e solidariedade. As inúmeras fantasias, tecidas pelas crianças, estimulam a capacidade da imaginação, alimentam esperanças e, mais tarde, suscitam as dúvidas.

Papai Noel existe?

Aos três e quatro anos, Papai Noel tem existência literal para os pequenininhos. Ele vem do céu, carregado de presentes, no seu trenó puxado por renas e entra nas casas das pessoas, escondido na noite de Natal. Ele sabe de tudo o que aconteceu durante o ano, o que as crianças fizeram de bom e não de tão bom assim.

A partir dos cinco anos, começam as dúvidas. Agora, dona de um pensamento cada vez mais lógico, a criança começa a duvidar da história. O trenó voador, as renas aladas passam a pertencer progressivamente mais ao faz-de-conta que à realidade. Entre acreditar e não acreditar, as crianças passam para os seis e, às vezes, para os sete anos. Muitas não ousam expressar sua dúvida, para não se confrontarem com uma realidade que não desejam. Quando existem irmãos mais velhos, a não existência do Papai Noel pode ser notificada mais precocemente.

Poder-se-ia supor que frustração, tristeza ou raiva seriam experimentadas quando a criança descobre que Papai Noel não existe. Entretanto, isso não ocorre, pois a figura do Papai Noel tende a ser imediata e diretamente transferida para os pais, que agora encarnam essa imagem amorosa. Além disso, o filho, sabendo que o Papai Noel, de verdade são seus pais, se sente crescido e importante no seu crescimento, principalmente se tem irmãos menores que ainda acreditam, pois se tornam cúmplices de seus pais para a manutenção da lenda.

Figuras imaginárias enriquecem a vida da fantasia da criança. O Papai Noel por sua bondade incondicional, pois traz sempre presentes, ainda que espere comportamentos bons, pode constituir um modelo importante para a identidade da criança. É um modelo de amor ao próximo e de generosidade. A figura do Papai Noel transferida, mais tarde no desenvolvimento, para os pais, agregam valores muito positivos às figuras parentais.

Portanto, a criança gosta e muito de acreditar em Papai Noel e não se sente mal quando descobre que o bom velhinho de barba branca não existe. Ela percebe que mesmo o Papai Noel não existindo, o Natal existe e a bondade do Papai Noel para com as crianças continua existindo, exercida pelos próprios pais e adultos mais próximos.

 




Ceres Alves Araujo

É psicóloga especializada em psicoterapia de crianças e adolescentes. Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC e autora de vários livros, entre eles 'Pais que educam - Uma aventura inesquecível' Editora Gente.



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