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Drogas e seu poder de destruição

Samanta Obadia 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Samanta Obadia

Morreu Amy Winehouse – vida e opção pelas drogas. Talento inquestionável; dependência química assumida.

Paralelamente, vemos uma nova droga ganhar espaço: o oxi, mais potente, mais barata e mais fatal do que as anteriores. Tanto faz o nome, tanto faz o seu poder de destruição. O que importa mesmo é entender o porquê do ser humano continuar com medo de viver conscientemente.

O que leva o homem e a mulher ao uso de drogas?

É a falta de sentido em suas vidas, é o medo de ser, é a falta de coragem para decidir o que fazer de si em seu próprio caminho.

Há poucos dias, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um sociólogo renomado, defendeu a descriminalização do uso das drogas, reconhecendo, agora, estar maduro para adotar esta ideia.

Nós, brasileiros, estamos cansados da imaturidade política em nosso país, que depende das pretensas evoluções individuais daqueles que nos representam.

Quem tem que amadurecer não é fulano ou cicrano, é o país, buscando a formação integral e digna de seus cidadãos.

O problema das drogas não está exatamente na sua legalização, está na Educação e na propaganda maciça que estimula exacerbadamente o consumo do álcool, por exemplo.

O sistema capitalista visa o lucro e, para isso, cria cidadãos consumistas heterônimos. Essa ideologia é construída com a implementação do medo, posto que esse sentimento gera o desejo desenfreado pelo consumo de algo que nos arranque do pavor.

Se nós temos medo do roubo, compramos alarmes e trancas; se temos medo da fome, compramos mais comida; se temos medo do frio, compramos mais roupas; se temos medo do contato com o outro, buscamos os relacionamentos virtuais; se temos medo do descontrole, adquirimos celulares e agendas. Se temos medo de decidir, nós nos alienamos - muitas vezes, com as drogas.

O medo nos leva diretamente ao consumo.

A ilusão dos produtos miraculosos do mercado traz a solução de problemas que, talvez, você nunca os tenha. Mas incute, anteriormente, o medo de tê-los.

O ser humano, em sua essência, sonha com a liberdade, e ser livre é ter a possibilidade de escolher o seu próprio destino, mas ao escolher a droga como opção de vida, seja a maconha, o crack, o oxi, os calmantes, as anfetaminas, o doce, os jogos ou o álcool, a opção que nos resta é sair dessa dependência: só isto nos torna humanos; só isto traz de volta a nossa liberdade.

Sem isso, só resta o fim, como o triste fim de Amy, aos 27 anos, encontrada morta em sua casa; ela que, lamentavelmente, não soube respeitar sua primeira house - o próprio corpo.
 

 




Samanta Obadia

Samanta Obadia é Escritora, Psicanalista e Filósofa com especialização em neurocognição. Palestrante dinâmica e inovadora, com ampla experiência em relacionamentos afetivos na clínica psicanalítica e em Orientação Educacional para jovens e familiares.



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