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Sofreu uma desilusão? Celebre!

Patricia Gebrim 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO

por Patricia Gebrim

"O mecanismo de criação das ilusões está sempre ligado a uma fuga do presente"

Anote de forma que nunca mais se esqueça:

- É impossível viver uma desilusão sem que uma ilusão tenha sido antes construída.

Se você se desiludiu é por que, de alguma forma, você havia antes criado algo que não era real. E sendo assim, a desilusão é a melhor coisa que poderia lhe acontecer, pois ela coloca você novamente em contato com o que de verdade existe.

O mecanismo de criação das ilusões está sempre ligado a uma fuga do presente. Se simplesmente vivêssemos momento a momento, tal qual o momento se apresenta, nunca nos desiludiríamos, pois o momento é simplesmente o que é, e pronto. Mas quando descartamos o momento e nos perdemos nos meandros de futuros imaginados, começamos a criar coisas que não existem e a exigir que o mundo se dobre às nossas criações. Passamos a fantasiar e a idealizar pessoas e situações. "Ah, esse homem é maravilhoso, ele vai cuidar de mim e teremos lindos filhos juntos"; "Esse emprego me dará poder e prestígio, todos irão me admirar"; "Essa viagem será a melhor de toda a minha vida", e por aí vai.

Passamos a nos desconectar das infinitas possibilidades maravilhosas que nos acontecem o tempo todo, em função de promessas que existem apenas na nossa imaginação. Trocamos a realidade presente, com seus infinitos tesouros, por uma fantasia que criamos em nossa imaginação. Criamos ilusões. Nocivas ilusões que nos cegam e muitas vezes fazem com que sejamos injustos com os outros.

Para que uma ilusão seja criada é preciso que neguemos a existência do outro. Nós o transformamos em uma tela em branco onde simplesmente projetamos o que desejamos.

Diferença entre ilusão e desejo

Aqui é importante diferenciar ilusões de desejos.

Os desejos são mecanismos positivos e saudáveis, através dos quais plantamos sementes em nossa realidade. É saudável desejar aquilo que queremos manifestar em nossas vidas. Mas a ilusão, diferente do desejo, é uma tentativa de impor nosso querer à força, mesmo que para isso tenhamos que distorcer a realidade.

Podemos "desejar" encontrar uma pessoa que nos ame e a quem possamos amar. Mas "nos iludimos" quando infantilmente exigimos que a realidade seja exatamente como desejamos. Nos iludimos, e pior... Se a pessoa não quiser fazer parte de nossa ilusão, nós a julgamos, condenamos e punimos, como se ela não existisse, como se fosse uma espécie de marionete de quem esperávamos nada menos do que as ações que imaginávamos que deveria ter.

As ilusões nos tornam injustos e muitas vezes cruéis. Agimos como crianças voluntariosas exigindo que nos seja dado exatamente o que queremos, quando queremos e como queremos.

Por esse motivo, a melhor coisa que pode nos acontecer é a tão temida desilusão. Precisamos passar por isso para atingir um grau maior de amadurecimento. Ela vem para nos ensinar, gostemos disso ou não.

Ouça: Talvez seus desejos se realizem, talvez não.

Precisamos aprender a aceitar isso. Não controlamos a vida.

Em nosso processo de evolução é esperado que seja assim. Nos iludimos e desiludimos. Iludimos e desiludimos. Iludimos e desiludimos... Até que um dia não nos iludimos mais. Não quer dizer que nos tornamos amargos ou secos. Apenas ganhamos uma sabedoria que nos faz abraçar com todo o coração o momento presente e aceitá-lo, seja ele como for. Passamos a viver um momento por vez, aceitando o que quer que venha a partir dele. Sem expectativas, sem resistir ao que se apresenta. Confiando totalmente no que quer que nos aconteça, em paz com o que é, no aqui e agora. Confiando que o que quer que aconteça, está acontecendo por um motivo maior.

Que coisa mais maravilhosa é sentir-se assim!

A paz que vem com essa compreensão é algo que você precisa experimentar. E quando for capaz de senti-la, compreenderá que as desilusões são sementes de uma linda árvore de paz, que se torna mais e mais florida a cada vez que somos capazes de confiar.

A verdade é que precisamos, e iremos, nos desiludir até que sejamos capazes de confiar plenamente na vida. Assim, quando alguém ou algo não for exatamente como você imaginava, não se perca em dramas, não julgue a si mesmo ou ao outro... Simplesmente siga em frente e tente enxergar melhor da próxima vez!

 




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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