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Sozinho, solitário ou em solitude?

Patricia Gebrim 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO

 por Patricia Gebrim

 

Sozinho

Ok, você olha ao redor e não vê ninguém. Está em sua casa, o silêncio o abraça e é fato, você está sozinho! Nem uma alma à vista.

Até aí, não há nenhuma tragédia acontecendo. Na verdade, se você pensar um pouco a respeito, perceberá que é um privilégio poder estar sozinho em alguns momentos de nossa vida. Não são todos que podem ter um espaço só para si, para desfrutar de sua própria companhia. Muitas pessoas são obrigadas a compartilhar seu espaço, quer queiram quer não. Ter um espaço só para si é um luxo, pense nisso!

Privilégios de quem está só

São tantas as coisas preciosas que podemos fazer quando estamos sós:

- Ler aquele livro que há tempos nos espreita da prateleira;

- Passar cremes cor de abacate no rosto sem correr o risco de assustar ninguém;

- Ouvir a música que queremos, no volume que queremos, por tanto tempo quanto quisermos;

- Pintar, desenhar, assistir futebol ou programas idiotas na TV;

- Se perder nos seus armários remexendo caixas antigas;

- Poder dormir, roncar, até babar com a boca aberta cheia de dentes à mostra...

- Poder correr nú pela casa (cada um com suas manias);

- Virar criança, arriscar na cozinha e fazer comidas estranhas. Podemos até comer as comidas estranhas que fizemos, sem que nos olhem com cara de: "Você está maluco?"

Podemos estar sozinhos, e ainda assim sentir uma comunhão tão grande com tudo, que é como se todo o Universo estivesse lá, ao nosso lado, nos fazendo companhia.

Ou seja, estar sozinho não quer dizer que necessariamente estaremos solitários, sentindo solidão. São coisas bem diferentes.

Solitário

Por outro lado, podemos estar rodeados de gente, no meio de uma festa, na casa de parentes, ou em em um bar ruidoso... Ou podemos ainda estar com uma pessoa bem grudada a nós e, ainda assim, nos sentirmos extremamente solitários. Quase como se fôssemos invisíveis, ou como se todos falassem todas as línguas, menos a nossa. Podemos estar abraçados a uma pessoa e sentir um gelo imenso naquele abraço, como se estivéssemos há anos luz de distância do que aquece nosso coração. Aliás, eu penso que não há coisa mais triste do que esse tipo de solidão, aquela que sentimos enquanto estamos acompanhados. É uma solidão que dói na alma, e eu sei que algum dia vocês já devem ter sentido algo assim.

É importante que aprendamos a distinguir essas coisas, pois é fundamental que a gente aprenda a parar de ter medo dessa tal solidão.

Deliciosa solitude

Mais do que isso, precisamos aprender a abraçar e amar também a solitude, os sagrados momentos em que ficamos com nosso próprio Eu. É naquele espaço vazio, livre de interferências externas, que tocamos e nos apropriamos do que existe de mais precioso em nós.

Quando estamos em nossa própria companhia ouvimos, vindas de dentro de nós, palavras e sons que não sabíamos existir. Tocamos sentimentos que em geral ficam escondidos, descobrimos caminhos e soluções que pareciam tão distantes de nossa realidade. Criamos, brincamos de imaginar, nos libertamos. Nos tornamos maiores, mais sábios e mais sensíveis... Isso é o que acontece aos que são corajosos o suficiente para ficar em sua própria companhia.

Quem não aprender a passar por isso dificilmente conseguirá estar de fato na companhia de outro alguém.

 




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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