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Viagens com crianças: o que os pais precisam saber

Ceres Alves Araujo 01/01/2016 PSICOLOGIA

por Ceres Araujo

"É preciso lembrar que nos dias de hoje, a possibilidade de acesso à internet é importante para crianças e adolescentes. Caso o local escolhido não tenha esse acesso, ele precisa ser interessantíssimo para o filho, dada a competitividade da web" Férias são épocas especiais para se viajar com crianças. Essas viagens são preparadas muitas vezes com bastante antecedência.

Frente ao tema: viagens com crianças,  pais, com frequência fazem perguntas a respeito do que seria melhor para toda a família. Seguem algumas dessas perguntas e as minhas respostas.

1ª) Que tipo de viagem devo levar meu filho de 0 a 1 ano?

Resposta: Nos dias de hoje, crianças viajam desde muito pequenas. Bebês que moram em grandes cidades, se beneficiam muito de viagens para o interior ou para a praia, pois podem respirar um ar mais puro. É importante garantir que elas tenham um ambiente de tranquilidade e que sua rotina não seja alterada em demasia. Com tais garantias, tanto faz que vá para a casa da praia, do campo, dos avós, tios, hotéis...

2ª) Quando os pais viajam sozinhos e as crianças ficam com os avós, é melhor irem para a casa dos avós ou é melhor que os avós se desloquem para a casa dos netos?

Resposta: A opção pode ser  diferente para cada família específica. Depende da disponibilidade dos avós, das condições das casas, da presença ou ausência de uma babá, da idade das crianças, do números delas. A criança, mais flexível pela idade que tem, se adapta com muito mais facilidade que o adulto, pois vê mudanças desse tipo como aventuras. O mais lógico seria decidir pelo que é mais fácil e agradável para todos os envolvidos.

3ª) Quanto tempo os pais podem viajar e se afastar dos filhos?

Resposta: Para as crianças é ótimo que seus pais viajem, pois assim elas treinam mais a autonomia, fator fundamental para o desenvolvimento emocional. Também, passam pela experiência de sentir saudades e depois sentir a alegria do reencontro. Sabe-se que é no espaço da falta que nasce o desejo e o amor pelo outro.

Porém, a quantidade de tempo da separação precisa ser pensada em termos da idade das crianças e do número delas. Bebês, crianças até 1 ano de idade, não devem ser separados de seu cuidador primário, no caso, em geral sua mãe. A presença da mãe é a garantia de proteção, nutrição e segurança do filho que nasceu há tão pouco tempo.  É lógico que a separação começa a ser introduzida aos pouquinhos, na medida em que o bebê já tem outras fontes de alimentação, frente à necessidade de trabalho da mãe e etc..

As primeiras viagens dos pais podem acontecer em fins de semana, para irem progressivamente aumentando. A progressão é importante, pois por não ter noção de distância temporal, a criança pode se sentir angustiada e até abandonada. A partir do segundo até o quinto ano de vida, a separação pode ser um pouco mais longa, até duas ou três semanas. Deve ser mostrado ao filho, de forma concreta, o número de dias que os pais estarão longe, podendo se usar um calendário para isso, o que permitirá que a criança tenha uma visão objetiva de quantos dias faltam para o reencontro.

A presença de irmãos facilita esse processo, pois além da companhia de irmão ou irmãos, a saudade pode ser compartilhada.

4ª) Qual o melhor tipo de viagem para cada idade dos filhos?

Resposta: É evidente que isso dependerá da disponibilidade da família de tempo e dinheiro. Mas, existem alguns princípios gerais. Nas férias, filhos pequenos desfrutam muito da companhia de seus pais. A presença e a atenção dos pais é suficiente, o local não é tão importante. Os pais constituem as primeiras escolhas de seus filhos menores. Talvez deva se privilegiar um lugar mais tranquilo para todos e onde as crianças possam brincar em liberdade.  

Após os 5 anos e até os 10 anos de idade, o local das viagens passa a ser importante. Um local de lazer, onde haja a possibilidade de aventura e de aprendizado é sempre interessante. Parques, resorts, hotéis-fazenda, hotéis de praia constituem boas escolhas, assim como cidades históricas, pontos geograficamente importantes e etc.. Nada como conhecer geografia e historia in loco, tendo os pais como professores animados! Viagens culturais são bem-vindas, desde que se respeite a possibilidade da criança de se manter concentrada em uma mesma situação. Caso contrário, corre- se o risco de prejudicar o processo de aprendizado, pois a criança pode achar cansativo algo que deveria ser interessante.

5ª) Vale a pena, em viagens, levar crianças em museus?

Resposta: Sempre vale, mas é bom que se tome muito cuidado com o tempo de exposição da criança. O tempo desejável varia de acordo com a idade da criança. Vale lembrar que apenas quando adultos, os filhos poderão se interessar por passar horas em um museu. Na infância, o que importa é apresentar o museu à criança. Isso significa que quanto menor a criança, menos tempo ela deve permanecer no museu, ainda que ela ache interessantíssimo e queira ficar.   Ela terá curiosidade para saber o que tem na outra sala, na outra e na outra, e isso despertará o interesse em sempre ir a museus.

6º) Em viagens, deve se levar crianças em restaurantes considerados muito finos?

Resposta: Se a criança tem menos que seis anos, esqueça essa ideia. Possivelmente será penoso para a criança, angustiante para os pais e muito desagradável para os vizinhos de mesa, que não têm a obrigação de aturar possíveis gritos, choros, corridas entre as mesas. Um restaurante rápido é a melhor opção para todos.

Mas, as crianças maiores devem ser levadas, até para aprenderem como se comportar em tais ambientes. Pode ser uma grande aventura para a criança poder ir, adequadamente vestida, a um restaurante de renome para apreciar um prato requintado.

7ª) Viajar com filhos adolescentes é diferente?

Resposta: Se os filhos no início da vida têm seus pais como primeira opção de companhia, o mesmo não ocorre na adolescência. Os pais tendem a ser a última opção, os amigos ocupam todos os primeiros lugares.  Isso  é o esperado e até desejável. Significa desejo de autonomia e normalidade. Não é esperado que um adolescente permaneça "grudado" aos pais o tempo todo.

Para muitos pais é um prazer grande ter seus filhos adolescentes junto a eles nas viagens de férias. Nessas situações, o tipo de viagem e o local são importantes. A escolha precisa priorizar as necessidades próprias da idade, que possam ser compartilhadas pelos adultos. Apresentar o mundo a seu filho adolescente e presenciar o prazer vivido por ele nas descobertas é algo que pode ser inesquecível.

É preciso lembrar que nos dias de hoje, a possibilidade de acesso à internet é importante para crianças e adolescentes. Caso o local escolhido não tenha esse acesso, ele precisa ser interessantíssimo para o filho, dada a competitividade da web.

Viajar é ótimo. Em família pode ser muito prazeroso, exige criatividade dos pais nas escolhas e alguns cuidados precisam ser tomados para que a viagem não se torne um pesadelo.

 




Ceres Alves Araujo

É psicóloga especializada em psicoterapia de crianças e adolescentes. Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC e autora de vários livros, entre eles 'Pais que educam - Uma aventura inesquecível' Editora Gente.



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