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Temo que meu filho fique dependente de remédios. O que faço?

Danilo Baltieri 05/12/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Temo que meu filho fique dependente de remédios. O que faço?
Fonte: Google Imagens
Acompanhamento regular do médico é mandatório

por Danilo Baltieri 

"Meu filho tem 9 anos de idade e tem dificuldade para aprender. Ele não gosta de estudar. Ele é muito hiperativo e o médico receitou Ritalina e Carbamazepina. E eu não quero dar para ele. Eu tenho muito medo dele ficar dependente desses remédios. A dificuldade dele é para aprender a ler, entender e interpretar as matérias."

Resposta: Ritalina (Metilfenidato) é uma medicação estimulante do Sistema Nervoso Central e considerada de primeira linha no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em crianças.

O TDAH é um transtorno mental que afeta cerca de 3 a 7% das crianças em idade escolar e compromete o funcionamento acadêmico e social de forma significativa.

Essa medicação também tem sido indicada para o tratamento de outras condições neuropsiquiátricas, como transtornos cognitivos, síndromes depressivas e narcolepsia (sono súbito e incontrolável).

De fato, uma notável parcela das crianças, adolescentes e adultos que padecem do TDAH beneficiam-se dessa medicação. O Metilfenidato é uma medicação segura, desde que seu uso seja supervisionado estreitamente por médico habilitado. Os principais efeitos colaterais são insônia, dor de cabeça, dor de estômago e falta de apetite, os quais podem ser adequadamente manejados durante o seguimento terapêutico do portador.

É verdade que o Metilfenidato pode ser utilizado de forma abusiva. Mas, devemos sempre notar que uma droga não é boa ou má por si só. O abuso/dependência do Metilfenidato geralmente ocorre entre pessoas que usam essa droga com propostas outras que não a terapêutica e entre aquelas que consomem doses superiores às recomendadas para o manejo das condições clínicas específicas. Aqueles que abusam dessa medicação geralmente pretendem:
a) perder peso;
b) melhorar a concentração;
c) ficar “alto”.

Na verdade, quando os usuários fazem uso do Metilfenidato com propostas outras que não a terapêutica, eles podem experimentar uma sensação de euforia que não é sentida por aqueles que fazem uso prescrito da substância. Por exemplo, quando essa droga é inalada, os efeitos podem ser bastante parecidos com aqueles provocados pelo uso da cocaína.

Entre as pessoas que abusam dessa medicação, os seguintes sintomas são comumente percebidos:

a) perda de peso;
b) agitação psicomotora;
c) insônia;
d) dor de estômago frequente;
e) sintomas depressivos;
f) visão prejudicada;
g) sintomas psicóticos (alucinações e/ou delírios).

Infelizmente, existem algumas evidências de que essa medicação tem também sido abusada por adolescentes e jovens universitários com o objetivo de melhorar o desempenho nos estudos e diminuir a fadiga.

De qualquer forma, essa medicação parece apenas melhorar a concentração entre aqueles que de fato têm déficits.

Assim, se o seu filho foi diagnosticado corretamente com um quadro clínico que demande o uso do Metilfenidato como proposta terapêutica, você deve conversar com o médico a fim de dirimir quaisquer dúvidas. O Metilfenidato é uma medicação eficaz e segura. O acompanhamento regular e estreito com o médico especialista é mandatório.

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    filho dependente de remédios

Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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