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Vya Estelar Responde

Fala Leitor

Falar sozinho é um fenômeno normal até certo ponto

Falar sozinho pode ser apenas uma forma de expressar os sentimentos

Depoimento de um leitor

“Tenho lido bastante sobre o assunto falar sozinho e a resposta é quase sempre a mesma: benefícios. Porém, ninguém se atenta para um detalhe... quem fala sozinho, não fala somente para si, tem sempre alguém por perto para ouvir, e isso, acredite, é muito incômodo. Ultimamente convivo com uma pessoa que fala constantemente sozinha e pior, alto demais. Fala o tempo todo... comenta sobre tudo, interage com a televisão, comenta sobre as cenas, sobre os assuntos dos telejornais, sempre dando a opinião dela; narra o que todo mundo está assistindo na TV e prevê o que vai acontecer. Ri alto, de tudo, do que é engraçado e da piada completamente sem graça. Faz comentários; fala com o cachorro, briga, esculhamba, brinca, agrada, cuida... sempre falando. Reage às mensagens do WhatsApp e Facebook rindo alto ou lamentando alto. Enfim, extremamente inconveniente. Piorou mais ainda depois de ter lido que falar sozinho deixa a pessoa mais inteligente, torna a pessoa um gênio, que não tem que se envergonhar por isso. O fato pode não ser considerado um problema em si, porém, para quem presencia e tem que conviver com isso, é extremamente irritante e enlouquecedor. Ainda mais para quem gosta de silêncio, sossego, estudar, ler, assistir filme (ah, ninguém consegue nem ouvir a televisão se ela estiver junto. Seus comentários abafam qualquer outro ruído. Não sei se ela vai ficar mais inteligente ou se eu vou enlouquecer.”

Resposta: Sim, falar sozinho é um fenômeno normal até certo ponto!

Como já expliquei aqui no Vya Estelar, desde que a pessoa saiba que está realmente apenas "pensando alto" e não falando com uma alucinação, isso não tem problema algum.

O problema é que outras pessoas não entendem esse hábito e acabam por considerar a pessoa como "louca", bobagem!

Falar sozinho é apenas uma forma de expressar os sentimentos de forma mais realista, observando que isso não se torne um comportamento obsessivo-compulsivo. Isto é, que a pessoa tenha certo domínio sobre esse ato.

O que você relata é uma situação especial em que a pessoa não tem a menor crítica sobre seu ato.

Esse quadro, dessa forma, nos faz pensar em algum tipo de Transtorno Mental.

Grosso modo, partiríamos das Hipóteses Diagnósticas de um quadro de Mania (que faz parte do Transtorno Bipolar) ou mesmo de uma Esquizofrenia Hebefrênica, que é um tipo de Esquizofrenia que se manifesta por comportamento pueril.

Minha sugestão é mesmo a de procurar um psiquiatra e aprofundar melhor os hábitos e costumes dessa pessoa.

Pode não ser nada, mas vale a pena investigar.

Atenção!
Este texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra ou psicólogo e não se caracterizam como sendo um atendimento.


Psiquiatra e psicoterapeuta. Obteve Titulo de Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e o de Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina na USP. Escreveu os seguintes livros sobre relacionamento amoroso: Casamento missão (quase) impossível; Ciúme: O medo da perda; Ciúme: O lado amargo do amor Mais informações: www.ferreira-santos.med.br


Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor(a), ainda mais pertinho de nós. O psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira Santos responderá perguntas enviadas por você sobre conflitos emocionais e existenciais; sobre transtornos psíquicos ou problemas de ordem psicológica. Os e-mails serão selecionados e publicados de acordo com critério editorial do Vya Estelar. Seu nome e e-mail não serão divulgados.


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