Prazer sexual está relacionado mais à atração física ou ao afeto?

por Margareth dos Reis

"Ou isso seria uma questão de gênero: homens olham mais a atração física e a mulher o afeto?"

Continua após publicidade

Resposta: A ciência nos diz que a atração sexual é basicamente o resultado de um coquetel de substâncias químicas liberadas pelo cérebro.

De fato, mexe com todos os órgãos dos sentidos e o motivo da intensificação das respostas sensoriais ao mesmo tempo, é uma experiência pessoal cuja explicação não é tão simples nem exclusiva. A vibração que a pessoa experimenta na atração sexual representa o alimento erótico que pode ou não movê-la em uma dada direção. Mas, a inquietação dessa vibração é inexorável. Entretanto, a pessoa pode se sentir atraída pelas idealizações que faz da outra, a partir das construções fantasiosas a respeito de uma imagem desejada.

Para os homens o tipo físico pode ser um forte estímulo para despertar seus desejos sexuais. Porém, as suas expectativas de prazer podem não se confirmar diante da oportunidade de um contato real com o seu objeto de desejo. Já para as mulheres pode ser mais comum ocorrer atração sexual pela expectativa de estar diante de alguém potencial para um relacionamento, e isso também não se confirmar.

Guardadas as devidas diferenças, ambos podem se frustrar com a prova da realidade. Isso significa que o estímulo que serve de gatilho para a atração sexual é, antes de tudo, um produto da fantasia de desejo de cada um e, como tal, repousar muito mais no reino das idealizações. Desejar o que mais atrai é algo que perpassa a história de vida das pessoas, independente das escolhas individuais de envolvimento íntimo que ela faz.

Continua após publicidade

Portanto, o prazer sexual pode surgir ora por um aspecto específico que seduz, ora por outros aspectos que se somam e elevam a expectativa de prazer ao auge; e coexistir em harmonia com todo material erótico que turbina o imaginário de cada um.

 

Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialista em Neurociências e Comportamento pela PUCRS. Psicóloga, terapeuta sexual e de casais, coordenadora no atendimento psicológico de pacientes com disfunções sexuais no Ambulatório da Unidade de Medicina Sexual da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC e coordenadora da Pós Lato Sensu em Sexologia: Novos Paradigmas em Saúde Sexual, na Faculdade de Medicina do ABC. Psicóloga, Idealizadora e Colunista no perfil “Conte com as 3” nas redes socias, que aborda temas como comportamento, sexualidade e carreira.

Continua após publicidade