Quais as consequências do uso regular de cocaína só nos finais de semana?

por Danilo Baltieri

"Meu namorado não gosta que toque no assunto e nem passa pela cabeça dele em procurar ajuda. Seus pais não sabem, mas ele faz uso de cocaína nos finais de semana. Ele não é agressivo, pelo contrário é um amor, mas queria que ele parasse!"

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Resposta: A cocaína é uma das drogas com maior potencial de abuso que existe. Muitos clínicos estimam que mais de 10% daqueles que fazem uso recreacional dessa substância desenvolverá padrão recorrente e intenso de uso (abuso e síndrome de dependência). Uma vez que um indivíduo experimenta a cocaína, ele não pode mais prever ou controlar por quanto tempo essa droga será administrada.

No caso relatado, existe, a priori, um consumo regular de cocaína, o que é bastante preocupante.

Efeitos

Cocaína é um poderoso estimulante do sistema nervoso central. Além da sensação de estar mais alerta e mais ativo, o prazer decorrente do seu consumo proporciona a repetição do seu uso. A tolerância pode ser rapidamente desenvolvida, dependendo de vários fatores individuais, e esses usuários aumentam a dose para sentir o mesmo “prazer” pretérito.

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A poderosa ação da cocaína em provocar prazer aos usuários é responsável pelo seu consumo continuado, apesar das consequências nocivas físicas, psíquicas e sociais. Em algumas instâncias, a morte súbita pode acontecer entre usuários principiantes.

É importante ressaltar que a combinação frequente entre cocaína e bebidas alcoólicas proporciona a produção de uma tóxica substância conhecida com ‘coca-etileno’, que intensifica os efeitos euforizantes da própria cocaína e contribui para as complicações físicas decorrentes.

De fato, muitos usuários que afirmam que não estão abusando da substância ou que não estão dependentes da mesma, NÃO conseguem evitar o uso da droga, quando ela está disponível. Na verdade, não existe qualquer nível seguro para o consumo dessa substância.

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Ajuda

A sua preocupação é bastante pertinente. É importante propor ao seu namorado a cessação desse consumo, bem como incentivá-lo para a mudança desse comportamento amplamente nocivo. Muitas vezes, esse tipo de usuário não consegue cessar o consumo sozinho. Nestas circunstâncias, é necessária a busca por um profissional especializado no assunto, tanto para realizar um diagnóstico acurado do problema, como propor um tratamento adequado.

Fingir que nada está ocorrendo não é recomendado, sob qualquer forma ou pretexto. Uma rede de pessoas amigas e familiares disposta a ajudar é sempre valiosa nestes casos.

Como a família pode lidar de forma construtiva com o dependente químico? – clique aqui

Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

Professor Livre-Docente pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professor de Psiquiatria do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC. Pesquisador nas áreas de Dependências Químicas, Transtornos da Sexualidade e Clínica Forense.