O corpo avisa quando falta proteína

Falta de proteína repercute na massa muscular, imunidade e tireoide  

Muitas pessoas acreditam que proteína serve apenas para “ganhar músculo”. Mas a verdade é que ela é essencial para imunidade, cicatrização, hormônios, pele, cabelo e unhas. Quando a ingestão é baixa, o corpo começa a economizar proteína para as funções vitais — e outros sistemas acabam sofrendo. Esse efeito é mais pronunciado em pessoas com mais idade.

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Sinais de falta de proteína

• perda de força
• queda de massa muscular
• fome frequente
• cabelos e unhas frágeis
• recuperação arrastada após doenças ou exercícios

• metabolismo lento
• fadiga sem explicação

Qualidade de vida e longevidade

Com o avanço da idade, o risco aumenta: estima-se que até metade das mulheres acima de 70 anos consuma bem menos proteína do que deveria. Garantir um aporte adequado deste macronutriente é uma das estratégias mais simples para preservar massa muscular, imunidade e qualidade de vida ao longo dos anos.

Pouca proteína pode desacelerar a tireoide.

Proteína insuficiente pode, sim, bagunçar o eixo tireoidiano — e isso costuma passar despercebido. O eixo tireoidiano envolve hipotálamo, hipófise e tireoide, trabalhando em sequência para produzir e regular os hormônios tireoidianos. Quando a ingestão proteica é muito baixa, especialmente se vier junto com restrição calórica, perda de peso importante ou desnutrição, o organismo entra em “modo economia”. Nesse contexto, tende a reduzir a atividade tireoidiana para poupar energia.

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A essencial conversão de T4 em T3

Um dos achados mais comuns é a queda de T3, o hormônio tireoidiano mais ativo, geralmente por menor conversão de T4 em T3 nos tecidos. Isso acontece porque o corpo tenta frear o gasto energético basal – o metabolismo fica “lento”. Em quadros mais intensos ou prolongados, podem ocorrer também redução de TRH e TSH (hormônios do hipotálamo e hipófise que comandam a tireoide), além de menor síntese, transporte e metabolismo adequado dos hormônios tireoidianos.

O eixo tireoidiano desacelera

Além disso, deficiência proteica raramente vem sozinha — muitas vezes há baixa ingestão de selênio, zinco, ferro e iodo, nutrientes fundamentais para a fisiologia tireoidiana.  Em resumo, sem proteína suficiente, o corpo entende que não é hora de manter um metabolismo alto. Resultado: o eixo tireoidiano tende a desacelerar, principalmente com queda de T3 e menor eficiência metabólica.

Sinais clínicos de tireoide alterada

Os possíveis sinais clínicos incluem: fadiga, frio excessivo, queda de cabelo, pele seca, perda de massa muscular, lentidão metabólica, ganho de peso, dificuldade de recuperação, constipação, alteração no colesterol e pouca adaptação ao estresse fisiológico.

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Quanta proteína ingerir?

Você costuma prestar atenção na quantidade de proteína que consome por dia?

 – A maioria dos adultos precisa de cerca de 1 g por kg de peso por dia.

– Idosos e pessoas ativas podem precisar de 1,2 a 1,5 g por kg de peso por dia.

Referências:

*Nutrients 2025. Protein and Aging: Practicalities and Practice.

*Am J Clinical Nutrition 2024. Dietary protein intake in midlife in relation to healthy aging – results from the prospective Nurses’ Health Study cohort.

*Ageing Research Reviews 2022. Protein intake & physical function in older adults: A systematic review and meta-analysis.

*Nutrients 2021. Strategies to Prevent Sarcopenia in the Aging Process: Role of Protein Intake & Exercise.

*Nutrients 2024. Dietary Habits, Nutritional Knowledge & Their Impact on Thyroid Health in Women: A Cross-Sectional Study. *Nutrients 2023. Is It Time to Reconsider the U.S. Recommendations for Dietary Protein & Amino Acid Intake?

Médica especializada em Nutrologia. Membro da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia. Pós-graduada em Terapia Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia. Membro Titular da Sociedade Médica Brasileira de Intradermoterapia. Consultora com atuação em Nutrologia e Medicina Ortomolecular. CRM 52 301716 www.tamaramazaracki.med.br