Quem se destaca no trabalho pode se tornar workaholic

por Flávio Gikovate

Como tenho reiterado nesta coluna, fica evidente a tese essencial de que a vaidade se apresenta em nossa cultura como um vício.

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Nada satisfaz completamente a pessoa que busca chamar a atenção cada vez mais.

Aqueles que se destacam pelo fruto do trabalho, poderão ficar viciados na ostentação de suas riquezas especiais ou no próprio ato de trabalhar; especialmente se são muito prestigiados durante essa atividade, tornando-se assim workaholics.

Outros se viciam na acumulação do dinheiro propriamente dito e às vezes são até muito discretos nas manifestações exteriores, talvez por que se sintam mal ao despertar inveja; vivem o prazer íntimo de terem conseguido tanto e são muito apegados ao próprio dinheiro.

No entanto, todos se viciam e perdem a relação lógica (intrínseca) ao trabalho. Ou seja, a de que essa atividade racional tem por objetivo claro e definido nos levar a obter o necessário à sobrevivência. Assim o trabalho passa a sofrer influência de emoções que alteram a singeleza e a objetividade de seu curso.

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Desse modo, a busca por destaque poderá nos levar a importantes e irrecuperáveis desvios de rota. Uma pessoa poderá, por exemplo, renunciar o sonho de uma carreira que lhe entusiasma, mas que não é bem vista socialmente e não traz a devida recompensa material (professor, músico de orquestra … ) e ir em busca de uma carreira menos gratificante emocionalmente, mas que permita o destaque social ansiado.

É médico psiquiatra formado pela USP em 1966. Foi assistente clínico do Institute of Psychiatry na London University. Em 45 anos de carreira já atendeu mais de oito mil pacientes. É escritor e palestrante. Assim como Erich Fromm, Carl Rogers e Erik Erickson, psicoterapeutas e escritores contemporâneos, dos anos 50 e 60, Gikovate tem tido sucesso em escrever textos sérios em linguagem coloquial. Seus livros já ultrapassam o milhão de exemplares vendidos. RIP.