Saiba se você tem a tendência de idealizar um par amoroso

por Tatiana Ades

Estamos vivendo uma época de extrema carência afetiva.

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Apesar de uma sociedade que se mostra tão sexualizada, podemos perceber em consultório, que o ser humano está cada vez mais sentindo-se sozinho e necessitado de outro alguém.

Uma questão me intriga bastante: a necessidade intrínseca de vivenciar um amor pode fazer com que alguém crie esse amor, fabrique-o em sua mente, acredite fielmente nele e alimente-se dele para poder sentir-se "par", e não "ímpar".

Essa construção inicia-se com a carência, segue para a busca por alguém e inicia-se com a construção de quem será esse "alguém", tornando a pessoa envolvida apenas em um objeto de compensação.

Claro, todo esse processo é inconsciente e apenas mostra o quanto estamos perdidos.

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Características da criação de um amor:

– Se vincular a outro ser, sem peneirar quem é essa pessoa;

– Começar a idealizar a pessoa como sendo o grande amor de sua vida;

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– Tentar a todo custo, manter esse amor duradouro (medo da perda, doar-se em excesso);

– Sensação de alívio e ao mesmo tempo desamparo;

– Depressão.

Não entrarei em detalhes sobre o processo neurótico que nos leva a criar um novo amor.

Mas acho importante que você fique atento a algumas questões importantes:

– Apesar de sua carência, você sabe quem busca?

– Você busca alguém para tapar seu buraco emocional ou simplesmente busca alguém?

– Quando encontra alguém que lhe dê atenção, logo se entrega, ignorando conhecer quem é de fato essa pessoa?

– Tem a tendência de idealizar a pessoa? Colocá-la como insubstituível?

– Medo da perda para não voltar a sentir-se sozinho de novo? Ou medo de perder a pessoa que gosta?

Pense em tudo isso. Você está amando ou construindo amores?

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.