Temo que meu filho fique dependente de remédios. O que faço?

por Danilo Baltieri 

"Meu filho tem 9 anos de idade e tem dificuldade para aprender. Ele não gosta de estudar. Ele é muito hiperativo e o médico receitou Ritalina e Carbamazepina. E eu não quero dar para ele. Eu tenho muito medo dele ficar dependente desses remédios. A dificuldade dele é para aprender a ler, entender e interpretar as matérias."

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Resposta: Ritalina (Metilfenidato) é uma medicação estimulante do Sistema Nervoso Central e considerada de primeira linha no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em crianças.

O TDAH é um transtorno mental que afeta cerca de 3 a 7% das crianças em idade escolar e compromete o funcionamento acadêmico e social de forma significativa.

Essa medicação também tem sido indicada para o tratamento de outras condições neuropsiquiátricas, como transtornos cognitivos, síndromes depressivas e narcolepsia (sono súbito e incontrolável).

De fato, uma notável parcela das crianças, adolescentes e adultos que padecem do TDAH beneficiam-se dessa medicação. O Metilfenidato é uma medicação segura, desde que seu uso seja supervisionado estreitamente por médico habilitado. Os principais efeitos colaterais são insônia, dor de cabeça, dor de estômago e falta de apetite, os quais podem ser adequadamente manejados durante o seguimento terapêutico do portador.

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É verdade que o Metilfenidato pode ser utilizado de forma abusiva. Mas, devemos sempre notar que uma droga não é boa ou má por si só. O abuso/dependência do Metilfenidato geralmente ocorre entre pessoas que usam essa droga com propostas outras que não a terapêutica e entre aquelas que consomem doses superiores às recomendadas para o manejo das condições clínicas específicas. Aqueles que abusam dessa medicação geralmente pretendem:
a) perder peso;
b) melhorar a concentração;
c) ficar “alto”.

Na verdade, quando os usuários fazem uso do Metilfenidato com propostas outras que não a terapêutica, eles podem experimentar uma sensação de euforia que não é sentida por aqueles que fazem uso prescrito da substância. Por exemplo, quando essa droga é inalada, os efeitos podem ser bastante parecidos com aqueles provocados pelo uso da cocaína.

Entre as pessoas que abusam dessa medicação, os seguintes sintomas são comumente percebidos:

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a) perda de peso;
b) agitação psicomotora;
c) insônia;
d) dor de estômago frequente;
e) sintomas depressivos;
f) visão prejudicada;
g) sintomas psicóticos (alucinações e/ou delírios).

Infelizmente, existem algumas evidências de que essa medicação tem também sido abusada por adolescentes e jovens universitários com o objetivo de melhorar o desempenho nos estudos e diminuir a fadiga.

De qualquer forma, essa medicação parece apenas melhorar a concentração entre aqueles que de fato têm déficits.

Assim, se o seu filho foi diagnosticado corretamente com um quadro clínico que demande o uso do Metilfenidato como proposta terapêutica, você deve conversar com o médico a fim de dirimir quaisquer dúvidas. O Metilfenidato é uma medicação eficaz e segura. O acompanhamento regular e estreito com o médico especialista é mandatório.

Professor Livre-Docente pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professor de Psiquiatria do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC. Pesquisador nas áreas de Dependências Químicas, Transtornos da Sexualidade e Clínica Forense.