Violência digital: medo de ser gravada durante a transa  

Segurança digital também é segurança afetiva; entenda

Pergunta de uma leitora:

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“Tenho medo de ser filmada pelo crush, sem consentimento, durante a transa. Verificar se há câmeras ‘escondidas’, celulares em posições suspeitas ou notebooks com webcams no ambiente é a melhor saída? Isso é paranoia ou em quais circunstâncias preciso ter medo de sofrer violência digital? Parece que os motivos são variados: vingança, extorsão e fetiche por esses filmes postados em sites pornôs como “real amateurs”.”

Resposta: Cara leitora: o medo que você descreveu não é exagero: ele nasce de situações reais que infelizmente acontecem. Ao mesmo tempo, também é importante não viver sob tensão constante. Então, como equilibrar? Primeiro, faz sentido sim dar uma olhada no ambiente — notar se há celulares estrategicamente posicionados, notebooks com webcam virada para a cama, ou qualquer objeto fora do lugar.

Atenção a isso x paranoia    

Esse tipo de atenção não é paranoia, é cuidado. Paranoia seria imaginar câmeras em cada fresta sem ter nenhum indício. Agora, em quais casos o risco aumenta? Quando existe desconfiança sobre o caráter da pessoa, histórico de comportamentos abusivos ou sinais de falta de respeito aos limites. Nessas circunstâncias, o medo é legítimo.

O chamado pornô de vingança existe, assim como casos de extorsão ou até mesmo fetiche em expor vídeos íntimos sem consentimento — especialmente em sites que lucram com isso. A melhor proteção? Escolher bem em quem confiar. A prevenção começa na relação: conversar abertamente sobre consentimento, deixar claro que gravações não são permitidas e observar se o outro respeita. O ambiente pode ser checado, mas a verdadeira segurança vem de estar com alguém que não ofereça motivo para desconfiança. Resumindo: não é paranoia ficar atenta; é prudência. O que diferencia é o contexto e a confiança. Segurança digital também é segurança afetiva.

Atenção!
Esta resposta (texto) não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialista em Neurociências e Comportamento pela PUCRS. Psicóloga, terapeuta sexual e de casais, coordenadora no atendimento psicológico de pacientes com disfunções sexuais no Ambulatório da Unidade de Medicina Sexual da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC e coordenadora da Pós Lato Sensu em Sexologia: Novos Paradigmas em Saúde Sexual, na Faculdade de Medicina do ABC. Psicóloga, Idealizadora e Colunista no perfil “Conte com as 3” nas redes socias, que aborda temas como comportamento, sexualidade e carreira.