Você sabe o que é orbiting?

Por Karina Simões

Estamos na época da modernidade afetiva e muitas coisas mudaram por aqui. Esse fenômeno – orbiting –  é mais comum do que você imagina no âmbito dos relacionamentos atuais.

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Funciona assim: uma relação, uma paquera ou até mesmo o seu crush chega ao “fim”. Então a pessoa corta toda a comunicação direta com a outra, mas continua a acompanhar o que a outra faz nas redes sociais. Apenas “acompanha”, mas não trava qualquer outro tipo de comunicação. Curte e acompanha, mas não interage de nenhuma outra forma mais profunda, ficando na interação superficial. Fica apenas “orbitando” sobre o espaço virtual do outro. Daí vem o próprio nome.

Antes da chegada da internet, das redes sociais e de toda essa modernidade atual, se uma pessoa se afastasse da outra pessoa e “cortasse” relações, mas continuasse curiosa em relação à sua vida, não teria como acompanhar o que a outra pessoa estava fazendo. Ficava, pois, sem informações e se mantinha na curiosidade. Hoje, levamos menos de um minuto para descobrir o que quiser. As redes sociais e a internet fornecem todo saciamento necessário para os curiosos de plantão. E todo esse novo processo da curiosidade fez nascer o que hoje acompanhamos e chamamos de “orbiting”.

O que percebo muito na clínica, com meus pacientes, é que todo esse comportamento de orbitar passa a confundir as pessoas e os sentimentos envolvidos.  A prática desse comportamento tem feito com que ex-parceiros imaginem que existem chances de voltar o relacionamento e alimentam pseudoesperanças de um retorno.

É bem verdade que temos que ir adaptando-nos às várias versões e modalidades das relações atuais, mas também sempre lembrando que não devemos nos perder nos valores internos que temos e nos quais confiamos como sendo éticos e congruentes com nossos sentimentos e a nossa verdade. Esse será sempre o melhor caminho a orbitar na vida: a sua verdade com respeito à verdade do outro! Fica ligado nessa órbita!

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Psicóloga Clínica Cognitivo-Comportamental; Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde - UFP - Universidade Fernando Pessoa em Portugal. Defendeu a sua dissertação com excelência e nota máxima sobre: “A interferência das redes sociais nos relacionamentos”. Especialista em Psicologia da Saúde, Desenvolvimento e Hospitalização – UFRN; Especialista pela Faculdade de Medicina do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP – SP. Foi professora da Pós-graduação em Psicologia – Terapia Cognitivo-Comportamental (Unipê). Há 20 anos atendendo na clínica a adolescentes, adultos, casais e famílias. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mantém o Blog próprio desde 2008. Mais informações: www.karinasimoes.com.br. Atendimentos com consultas presenciais ou online