Escolher e deixar para trás é um ato de amor

Que hoje você escolha com mais carinho. O essencial, porém, tem o poder de acalmar, porque direciona a energia, organiza o caos e devolve presença…

O essencial não grita. Ele sussurra dentro de nós.

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Rubem Alves dizia que a vida nos pede escolhas, não por que seja cruel, mas por que o tempo é curto demais para abraçarmos tudo. E essa é uma verdade que a maturidade vai nos ensinando com o seu jeito silencioso: não dá para tocar todas as músicas, ler todos os livros, percorrer todos os caminhos. É preciso escolher. É necessário abdicar. Abrir mão. Deixar pra trás. Entende?

E escolher e deixar pra trás, no fundo, é um ato de amor.

A neurociência confirma isso quando mostra que o nosso cérebro não opera bem no excesso. 

Quando tentamos abraçar o mundo, ativamos circuitos de alerta, sobrecarregamos o sistema límbico, e a mente se dispersa. Entramos num curto-circuito emocional.

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O essencial, porém, tem o poder de acalmar, porque direciona energia, organiza o caos, devolve presença ao neocórtex – a parte do cérebro que clareia, interpreta, decide com mais razão de ser.

E a Terapia do Esquema, sobre a qual eu tanto falo, também nos lembra: muitas vezes, nossa dificuldade em escolher vem de velhas feridas: o medo de decepcionar, de perder, de ficar só, de não ser suficiente.

São esquemas que nos fazem acreditar que precisamos dar conta de tudo para sermos amados ou reconhecidos. Mas não. Isto não é verdade absoluta. A vida não exige mil braços. Ela exige presença.

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Escolha consciente

Quando escolhemos conscientemente, rompemos com fantasias internas que pedem desempenho infinito.

Assumimos a autoria da nossa própria história. Criamos um espaço onde podemos dizer “sim” ao que pulsa e “não” ao que pesa para nós.

E, então, algo fantástico acontece: o que importa começa a florescer.O nosso “quintal interno”, ou nosso “drive interno”, como gosto de chamar, aquele lugar onde memórias, afetos e sentidos crescem, só floresce quando paramos de correr e começamos a cultivar. E cultivar é um trabalho delicado.Requer foco, pausa, responsabilidade e autocompaixão.Com essa minha fala, deixo um convite para diminuirmos o passo.

Para carregarmos menos coisas nas mãos e mais profundidade no coração.

Para tocarmos menos “objetos” e tocar mais verdadeiramente aquilo que vale guardar.

Abrir mão não é perder.

Abrir mão é amar de um jeito maduro, consciente, responsável.

É direcionar o afeto para o que sustenta a alma, e não para o que apenas ocupa espaço.

Que hoje você escolha com mais carinho. Com menos medo. Com mais presença. Porque a vida inteira… nunca coube mesmo. Mas o essencial sempre coube, e sempre coubemos nele.

Psicóloga Clínica Cognitivo-Comportamental; Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde - UFP - Universidade Fernando Pessoa em Portugal. Defendeu a sua dissertação com excelência e nota máxima sobre: “A interferência das redes sociais nos relacionamentos”. Especialista em Psicologia da Saúde, Desenvolvimento e Hospitalização – UFRN; Especialista pela Faculdade de Medicina do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP – SP. Foi professora da Pós-graduação em Psicologia – Terapia Cognitivo-Comportamental (Unipê). Há 20 anos atendendo na clínica a adolescentes, adultos, casais e famílias. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mantém o Blog próprio desde 2008. Mais informações: www.karinasimoes.com.br. Atendimentos com consultas presenciais ou online