A atitude do outro causa raiva? Olhe para dentro de si  

Por trás de muitos comportamentos que incomodam, há histórias de abandono, rejeição, exigências impossíveis ou amor condicionado. O incômodo que o outro provoca em você, pode ser só um convite para olhar para dentro de si mesmo; saiba mais

Tem muita gente julgando o palco do outro sem conhecer seus bastidores.

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Vivemos numa era em que as pessoas emitem opiniões com uma facilidade assustadora, pois o celular virou uma arma nas suas mãos. Elas filmam tudo e postam como se tivessem o direito de falar livremente da vida alheia. 

Criticam, apontam, rotulam, sem conhecer o caminho percorrido, as dores carregadas, as cicatrizes que não se veem.

Mas ninguém acorda um dia decidido a ser “difícil”, “frio”, “repetitivo” ou “complicado”.

Por trás de muitos comportamentos que incomodam, há histórias de abandono, rejeição, exigências impossíveis ou amor condicionado. As pessoas têm histórias de vida diferentes e difíceis muitas vezes. Memórias afetivas que as levam a agir e a viver daquela forma que são e se apresentam. 

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Padrões emocionais profundos surgem na infância

Hoje entendemos que o ser humano é movido por padrões emocionais profundos que surgem ainda na infância. Esses padrões moldam a forma como ele se protege, se relaciona… e até como julga os outros.

Quando você critica com dureza, talvez esteja ativando um esquema de Padrões Inflexíveis, que exige perfeição de si e dos outros. Quando sente raiva do comportamento alheio, pode estar lidando com a sua própria Privação Emocional: aquela sensação de que ninguém entende o que você precisa.

Quando você desconfia de todos ou julga sem conhecer, talvez viva sob o olhar constante do esquema de Desconfiança/Abuso e projeta no outro a insegurança que ainda habita você. Pense nisso.

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Quando você não tolera os erros nos outros, talvez o esquema de Punição ainda dite as suas reações, em que errar é ser indigno de afeto e não merecedor. Você deve ter aprendido isso lá atrás. 

Uma dica valiosa da psi aqui: 

O incômodo que o outro provoca em você, pode ser só um convite para olhar para dentro de si mesmo. 

Nem sempre o problema está fora. Muitas vezes, aquela situação do outro que te fere, revela uma parte sua ainda não curada. 

Assim, antes de julgar, escute. Antes de apontar, reflita.

Porque a grama do vizinho pode nem ser mais verde… Talvez só esteja sendo mais bem cuidada. E você também merece esse cuidado. Comece por você. Cuide-se.

Psicóloga Clínica Cognitivo-Comportamental; Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde - UFP - Universidade Fernando Pessoa em Portugal. Defendeu a sua dissertação com excelência e nota máxima sobre: “A interferência das redes sociais nos relacionamentos”. Especialista em Psicologia da Saúde, Desenvolvimento e Hospitalização – UFRN; Especialista pela Faculdade de Medicina do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP – SP. Foi professora da Pós-graduação em Psicologia – Terapia Cognitivo-Comportamental (Unipê). Há 20 anos atendendo na clínica a adolescentes, adultos, casais e famílias. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mantém o Blog próprio desde 2008. Mais informações: www.karinasimoes.com.br. Atendimentos com consultas presenciais ou online