Como lidar com a falta de privacidade para transar 

Apesar de vocês terem um quarto só para vocês na casa dos seus pais, quanta interferência de outros fatores estressores podem ocupar esse ambiente sem que vocês percebam

E-mail enviado por um leitor:

“Por conta da crise econômica, precisei ir morar na casa dos meus pais por um tempo. Minha mulher ficou travada para transar, pois embora tenhamos um quarto só para nós, o do meus pais fica ao lado. Como lidar com uma situação dessas?”

Resposta: Toda mudança requer um período de adaptação até que as coisas se acomodem em um novo arranjo mais desejável, e ainda mais esforços podem ser necessários em relação àquelas em que nos vemos obrigados a recorrer em uma situação de emergência.

Todavia, se as situações mudam, as iniciativas para o bem-estar também precisam ser renovadas e adaptadas ao novo contexto. Como por exemplo você nos descreve o efeito anticlima sexual que se instalou nesse período crítico em que você e a sua esposa estão vivendo na casa dos seus pais para gerenciar a crise econômica, cabe a seguinte pergunta: como estava a vida sexual de vocês antes da tomada dessa decisão?

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Como lidar com a falta de privacidade para transar

Além disso, apesar de vocês terem um quarto só para vocês na casa dos seus pais, quanta interferência de outros fatores estressores podem ocupar esse ambiente sem que vocês percebam, além do fato do quarto dos seus pais ficar ao lado do de vocês? Ou ainda, o quanto vocês estão alinhados e confiantes de que as circunstâncias atuais vão trazer as compensações que esperam alcançar?

Botando em contexto, o quanto vocês estão conseguindo abstrair o entorno para cuidar da privacidade do casal? E aqui não me refiro à relação sexual propriamente dita, mas à confiança e admiração recíprocas na relação a dois, aos gestos de carinho e carícias constantes que refletem a saúde física e mental preservadas de ambos os lados que estimulam o desejo de aproximação sexual.

Então, para além do sexo, é necessário focar nos fatores estressores presentes em cada enfrentamento que a vida impõe para colocar cada coisa no seu devido lugar e promover a qualidade necessária para o envolvimento afetivo-sexual satisfatório na vida a dois.

Atenção!
Esta resposta (texto) não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento.

É Psicóloga Clínica, Terapeuta Sexual e de Casais no Instituto H.Ellis-SP; psicóloga no Ambulatório da Unidade de Medicina Sexual da Disciplina de Urologia da FMABC; Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; epecialista em Sexualidade pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana – SBRASH; autora do livro “Mulher: produto com data de validade” (ED. O Nome da Rosa) Mais informações: www.instituto-h-ellis.com.br