Como saber se amo mesmo meu namorado?

Amo mesmo meu namorado? Será que dúvidas e incertezas fazem parte do amor? Há espaço para a certeza no amor?

“Às vezes sinto ciúme do meu namorado, mas se fosse amor de verdade haveria espaço para a posse? Tem hora que me sinto insatisfeita no meu relacionamento, principalmente quando a harmonia não é alcançada… Sofro quando não sou compreendida. Mas sinto também que às vezes temos reciprocidade… O amor depende de reciprocidade? Os momentos felizes também rolam… Mas fica tudo assim num caminho cinza, sempre com o espaço para dúvida, para a hesitação e não para aquele caminhar tipo pisar em um chão firme. Uma coisa assim não fede nem cheira… Mas num todo vejo o relacionamento como tranquilo… Mas parece que falta algo… Como vocês definiriam o que essa relação? Obrigada.”

Resposta: Definir o amor foi, é, é sempre será complicado. Não existirão palavras ou frases suficientes para fazê-lo. É possível, no máximo, refletir sobre ele. É o que nossa leitora propõe em seu e-mail quando percebe que a cada tentativa de definir se ama seu namorado, novas questões, que nunca se esgotam, são levantadas.

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Em geral, sentimentos relacionados ao amor são vistos como agradáveis. Mas será que o ciúme, sentimento desconfortável e egoísta, pode estar relacionado ao amor? Pergunta nossa leitora. Pode sim. O ciúme nada mais é do que o medo de perder quem se ama. E, desde que não vire obsessão, pode caminhar de mãos dadas com o amor. Principalmente no início de uma relação onde o outro é ainda um desconhecido.

O que é a reciprocidade no amor?

Quem ama sempre compreende e é compreendido pelo outro? O amor depende reciprocidade? Segue nossa leitora. Bem, certamente a disponibilidade para tentar entender um parceiro amoroso faz parte do amor, mas nem sempre essa compreensão é alcançada. Afinal, cada pessoa tem uma história que modela seu modo de ver o mundo e seus sentimentos.

Assim, a reciprocidade, no caso do amor, está mais na intenção, no esforço e na boa vontade de captar os sentimentos do ser amado do que na obrigatoriedade de consegui-lo. Consequentemente, sofrer por não ser compreendida também pode fazer parte do amor.

Teoricamente o amor deve preencher a alma e levar os envolvidos à sensação de plenitude e segurança. Não é assim que nossa leitora se sente. Será que ela está amando? Será que as dúvidas e incertezas fazem parte do amor? Claro que sim! O amor é um sentimento dinâmico, não uma foto na parede. Cada passo dos parceiros pode modificar o equilíbrio da relação. Assim como no jogo de xadrez, onde um único movimento pode levar à vitória ou à derrota, o amor pode acabar num segundo ou perdurar por muito tempo. Ele pode preencher algumas lacunas da alma por momentos mas não todas as lacunas da alma pela eternidade.

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Amo mesmo meu namorado?

Dúvidas… dúvidas… dúvidas… quem ama sempre as tem. Então, se certezas não existem, do que nossa leitora precisa para saber se realmente ama seu namorado?

Talvez, esquecer dúvidas existenciais e partir para a tentativa de fazer do relacionamento que tem em mãos a melhor parceria que conseguir; esquecer definições e dedicar-se à troca afetiva em todas as suas nuances; aceitar momentos de decepção, raiva e vazio como parte de qualquer relacionamento e tentar contorná-los, ao invés de abandonar quem os provoca. E, sobretudo, entender que uma pessoa, mesmo que muito amada, não tem o dever e muito menos a capacidade de preencher todas as necessidades afetivas do parceiro. O amor é troca não subserviência.

Atenção!
Esta resposta (texto) não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento

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É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental. Vya Estelar quer colocar você, querido leitor(a), ainda mais pertinho de nós. A psicóloga Anette Lewin responderá perguntas enviadas por você sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas por você; 2º) formato: extrair uma palavra em específico de uma pergunta que você enviou (ex: traição). E partir desta palavra, revelar o significado do que sentimos ao nos relacionar. Seu nome e e-mail serão preservados.