Dúvidas sobre sexo: IA substitui terapia sexual?     

A relação entre o usuário e a IA ganha um tom quase terapêutico. Mas aí vale uma pausa: será que é mesmo terapia?

Pergunta de um leitor:

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Um assunto que está muito em alta, é o uso da Inteligência Artificial. Normalmente, o mais citado é o ChatGPT. As pessoas estão usando a IA com uma espécie de life advisor, encarando de modo personificado a IA, como um amigo conselheiro; e acham que podem usar essa ferramenta como um modo de fazer terapia, para resolver seus conflitos, dúvidas, fetiches, fantasias e tabus na vida sexual.  

Resposta: O uso da Inteligência Artificial nunca esteve tão em alta e o ChatGPT se tornou, para muita gente, quase um novo tipo de companhia. Um “amigo” disponível 24 horas por dia, que responde com paciência, escuta sem julgamento e está sempre ali, pronto para conversar.

É compreensível que, diante disso, muitas pessoas estejam usando a IA como um espaço de desabafo. Mais do que uma simples ferramenta de busca, ela vem sendo tratada como uma espécie de conselheiro pessoal. Gente que pergunta sobre escolhas de vida, fala sobre medos, inseguranças, e até mergulha em temas delicados como fetiches, fantasias, tabus e conflitos da vida sexual.

É terapia?

A relação vai ganhando um tom quase terapêutico. Mas aí vale uma pausa: será que é mesmo terapia?

Não dá pra negar que há um efeito acolhedor em escrever sobre o que sentimos, e muitas vezes, só de organizar os pensamentos com a ajuda de uma IA, já há algum alívio. Mas a IA não tem escuta clínica. Ela não interpreta entrelinhas, não sente as pausas, não olha nos olhos. Ela responde, e faz isso bem, mas não substitui a profundidade, o vínculo e o processo que um espaço terapêutico verdadeiro proporciona.

Então, sim, a IA pode ser uma aliada, um ponto de partida, uma ferramenta de apoio. Mas ela não ocupa o lugar do encontro humano. Porque, no fim das contas, algumas respostas só emergem quando somos verdadeiramente estimulados e escutados, por alguém que está ali, de corpo, presença física ou online, e afeto.

Atenção!
Esta resposta não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialista em Neurociências e Comportamento pela PUCRS. Psicóloga, terapeuta sexual e de casais, coordenadora no atendimento psicológico de pacientes com disfunções sexuais no Ambulatório da Unidade de Medicina Sexual da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC e coordenadora da Pós Lato Sensu em Sexologia: Novos Paradigmas em Saúde Sexual, na Faculdade de Medicina do ABC. Psicóloga, Idealizadora e Colunista no perfil “Conte com as 3” nas redes socias, que aborda temas como comportamento, sexualidade e carreira.