Entro numa relação achando que vai dar errado

Como virar essa chave de achar que a relação está fadada ao fracasso e colocar uma roupa mais folgada e confortável no amor e dar uma chance para que ele flua?

Nessa era hipermoderna com as relações mais voláteis, as ofertas dos apps, a tolerância diminuída… Muitos entram em uma relação com o seguinte pensamento:

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“Já começo um relacionamento achando que vai dar errado. Fico pensando que vai ser só mais um (a) e que, em breve haverá algum atrito com o qual ele (a) não vai conseguir ser maduro(a) o suficiente para resolver, e a gente vai terminar”

A relação amorosa passa por uma transformação muito grande nos últimos tempos. Vários tipos de amor que antes eram proibidos passam a ser validados e aceitos.

Como iniciar uma relação com uma perspectiva mais tranquila?  

Diante dessa realidade, é natural que as pessoas se sintam confusas, amedrontadas, perdidas frente à perspectiva de iniciar um relacionamento.

“Não vai dar certo” não é uma crença, é antes de mais nada uma defesa. Se eu já sei que não vai dar certo, posso errar à vontade, não tenho que me esforçar para acertar.

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De uma maneira geral, as pessoas hoje têm mais informações sobre relacionamentos e são mais livres para rompê-los quando não correspondem ao esperado. Assim, o significado de um relacionamento que dá certo, antes identificado com ligar-se amorosamente a alguém pelo resto da vida, não carrega mais esse ônus. E o que significa dar certo na atualidade não é mais algo claro para quase ninguém. Provavelmente, quem começa um relacionamento achando que não vai dar certo está se referindo à sua duração, nem sempre ao seu conteúdo.

Faz sentido entrar em uma relação sem acreditar?

Mas entrar em um relacionamento sem acreditar nele não faz muito sentido. É preciso revalidar esse tipo de vínculo ou, pelo menos, avaliar para que serve um relacionamento amoroso nos dias de hoje. Formar uma família? Ter filhos? Não ficar sozinho ao envelhecer? Ter com quem compartilhar suas experiências? Não… nenhum desses motivos, por si só, constituem algo que apenas a relação amorosa pode proporcionar. Talvez o que resta é a paixão — estágio inicial das relações amorosas. E a paixão está vinculada ao desconhecido. E o desconhecido, cada vez mais rapidamente, se torna conhecido com o excesso de informações que nos invadem. Assim, a paixão dura cada vez menos levando embora consigo os motivos para a relação continuar. Desse ponto de vista, relações amorosas podem ser eternas enquanto durar a paixão…

Certamente existem pessoas que ainda apreciam relacionamentos mais profundos. Assim como existem aquelas que apreciam móveis comprados nos antiquários. São pessoas que entendem que o amor — assim como uma poltrona de época — deve ser cuidado, reformado e valorizado. Que o amor dá trabalho e proporciona algum sentimento que nem todos sabem apreciar. E que, assim como a poltrona de época, pode voltar a “ficar na moda” algum dia. Será?

Atenção!
Esta resposta (texto) não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental. Vya Estelar quer colocar você, querido leitor(a), ainda mais pertinho de nós. A psicóloga Anette Lewin responderá perguntas enviadas por você sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas por você; 2º) formato: extrair uma palavra em específico de uma pergunta que você enviou (ex: traição). E partir desta palavra, revelar o significado do que sentimos ao nos relacionar. Seu nome e e-mail serão preservados.