Por que ainda tentamos entender o prazer feminino a partir de uma régua que foi feita sob medida para o corpo e a vivência masculina?
Pergunta de um leitor:
É mais do que notório o que já se discutiu sobre o estado ou aspecto emocional da mulher e sua disposição para o sexo… sobre preliminares para “preparar o corpo” da mulher para a transa, para o orgasmo… Diferente do homem que, em geral, não depende de preliminares — “vai no automático” e, se não perder ereção, fatalmente atingirá o orgasmo. Então, as mulheres gostam menos de sexo do que os homens? O que está por trás disso?
Resposta: Essa ideia de que mulher gosta menos de sexo do que homem é um mito que ainda insiste em circular, mas não se sustenta. O que existe, na verdade, são funcionamentos diferentes, e muitas vezes, leituras apressadas sobre isso.
O desejo masculino costuma ser mais linear: estímulo, excitação, orgasmo. Funciona quase no “piloto automático”. Já o desejo feminino, na maioria das vezes, depende de mais ingredientes — conexão emocional, contexto, clima, segurança. Não é falta de vontade, é outra lógica de desejo. E tem mais: pra muitas mulheres, as preliminares não são só um passo antes da transa, são parte essencial do processo. É ali que o corpo se envolve, que a mente entra em sintonia, que o prazer começa a fazer sentido.
No fundo, a pergunta não é se mulher gosta menos de sexo, mas por que ainda tentamos entender o prazer feminino a partir de uma régua que foi feita sob medida para o corpo e a vivência masculina. Quando mudamos a lente, a resposta aparece com clareza.
Atenção!
Esta resposta não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento.
