Por que você se sabota?

Autossabotagem não é apenas indisciplina: é um conflito entre quem você foi moldado(a) para ser e quem está tentando se tornar… Veja 7 dicas para lidar com esse comportamento
 
Você não se sabota por falta de força de vontade ou porque você simplesmente quer chamar a atenção. Você se sabota porque, em algum ponto da sua história, crescer deixou de ser sinônimo de segurança.

As primeiras experiências de vínculo moldam silenciosamente a forma como seu sistema nervoso interpreta o amor, o sucesso e o pertencimento. Se houve instabilidade, crítica excessiva, abandono emocional ou expectativas rígidas, seu cérebro aprendeu que se expor, confiar ou se destacar pode resultar em dor.

Hoje, toda vez que algo começa a dar certo, por exemplo: um relacionamento saudável, uma oportunidade profissional, um projeto que floresce…uma parte sua pode acionar um freio invisível. Começando, então, sua sabotagem. Não é irracionalidade. É memória emocional tentando manter você “a salvo”.

Ao longo do desenvolvimento, crenças profundas vão se estruturando: “eu não sou suficiente”, “isso não vai durar”, “não posso errar”, “se eu crescer, vou perder amor”. Essas narrativas não ficam apenas no pensamento; elas organizam nossos comportamentos. Você procrastina, desiste perto da linha de chegada, escolhe pessoas indisponíveis, cria conflitos quando tudo está estável. Não porque deseja fracassar, mas porque existe uma coerência interna entre o que você acredita sobre si e o que você permite viver. O corpo e a mente preferem o conhecido ao saudável. Às vezes, repetir padrões dolorosos parece mais seguro do que sustentar algo novo.

E há ainda um fator silencioso: o sentimento de pertencimento. Muitas vezes, avançar significa ultrapassar limites que foram implícitos no seu sistema familiar: superar histórias de fracasso, romper ciclos de escassez, estabelecer relações mais maduras do que aquelas que você presenciou. Crescer pode ativar culpa inconsciente, como se prosperar fosse trair suas próprias origens.

Por isso, autossabotagem não é apenas indisciplina; é um conflito entre quem você foi moldado(a) para ser e quem está tentando se tornar. Superá-la exige consciência, regulação emocional e, sobretudo, a coragem de atualizar sua história. Porque aquilo que um dia foi estratégia de sobrevivência não precisa continuar sendo o seu destino final.

7 dicas práticas comportamentais para enfrentar a autossabotagem:

1. Buscar caminhos de sua espiritualidade;
2. Fazer psicoterapia;
3. Fazer atividade física diariamente;
4. Organizar uma rotina de vida no ordinário;
5. Manter disciplina na higienização do sono;
6. Sustentar o desconforto do crescimento;
7. Trocar metas grandiosas por microações consistentes.

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Psicóloga Clínica Cognitivo-Comportamental; Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde - UFP - Universidade Fernando Pessoa em Portugal. Defendeu a sua dissertação com excelência e nota máxima sobre: “A interferência das redes sociais nos relacionamentos”. Especialista em Psicologia da Saúde, Desenvolvimento e Hospitalização – UFRN; Especialista pela Faculdade de Medicina do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP – SP. Foi professora da Pós-graduação em Psicologia – Terapia Cognitivo-Comportamental (Unipê). Há 20 anos atendendo na clínica a adolescentes, adultos, casais e famílias. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mantém o Blog próprio desde 2008. Mais informações: www.karinasimoes.com.br. Atendimentos com consultas presenciais ou online